Samuel ficou mais de 30 horas em cativeiro em uma área próxima ao Rodoanel, em Osasco (Grande SP), após ser abordado por criminosos quando chegava na Avenida Rebouças, na Zona Oeste de São Paulo
A polícia investiga se o juiz e auditor fiscal Samuel de Oliveira Magro, sequestrado e liberado nesta terça-feira (20), pode ter sido vítima do chamado “golpe do amor”, um esquema em que criminosos criam perfís falsos em aplicativos de relacionamento para enganar e extorquir vítimas.
Inicialmente, as autoridades informaram que Samuel teria sido escolhido aleatoriamente pelos criminosos durante um sequestro-relâmpago na Avenida Rebouças, na Zona Oeste de São Paulo. No entanto, com novas apurações, a polícia passou a considerar a possibilidade de que o magistrado tenha sido alvo específico do golpe, já que ele havia sofrido um esquema semelhante em 2021.
Polícia resgata juiz sequestrado em área nobre de São Paulo e prende cinco suspeitos
Juiz sequestrado é localizado
Policiais da Delegacia Antissequestro e do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos conseguiram localizar o juiz e auditor fiscal Samuel de Oliveira Magro em uma residência simples localizada em uma favela de Osasco, na região metropolitana de São Paulo.
De acordo com a investigação, Samuel foi abordado por dois homens armados por volta das 20h de domingo (18), na Avenida Rebouças, e levado ao cativeiro, onde permaneceu sob ameaça constante. As autoridades informaram que o encontro que resultou no sequestro foi marcado por meio de um aplicativo de relacionamentos.
Durante o período em que esteve em poder dos criminosos, a vítima foi pressionada a realizar transferências bancárias, em uma tentativa de extorsão financeira por parte do grupo.
A localização do cativeiro só foi possível graças a uma ligação telefônica realizada por Samuel, já mantido como refém. Durante a chamada, ele conseguiu transmitir algumas palavras ao marido, incluindo um código previamente combinado para indicar que estava em perigo. Ao identificar a palavra-chave, que não foi divulgada, o marido acionou imediatamente a polícia.
Com a chegada das equipes ao local, Samuel foi resgatado. Ele apresentava forte abalo emocional, recebeu atendimento médico e foi encaminhado a um hospital. Logo depois, foi levado à Divisão Antissequestro, onde pôde se reunir com a família.
Durante a ação policial, três homens foram presos em flagrante no cativeiro, e um adolescente foi apreendido. Um quinto suspeito acabou detido posteriormente durante as buscas relacionadas ao caso, reforçando o trabalho investigativo das autoridades.
Sequestro pode estar ligado ao “golpe do amor”
O juiz Samuel de Oliveira Magro, integrante do Tribunal de Impostos e Taxas (TIT), vinculado à Secretaria Estadual da Fazenda (Sefaz), foi vítima de sequestro-relâmpago e mantido em cativeiro por mais de 30 horas.
O TIT é responsável por julgar processos administrativos tributários e é formado por juízes representantes da Fazenda, como Magro, e por juízes indicados pelos contribuintes, com mandatos de dois anos.
Segundo o delegado da Divisão Antissequestro (DAS) de São Paulo, Fábio Nelson, o juiz foi abordado pelos cinco criminosos na noite de domingo (18). A polícia investiga que o caso esteja relacionado ao chamado “golpe do amor”, um esquema que tem se intensificado em São Paulo desde 2021, impulsionado pelo uso de tecnologia e transferências via PIX.
De acordo com as informações divulgadas, Samuel foi resgatado pelos agentes da 2ª Delegacia Antissequestro (DAS/DOPE) e pelo Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra). O delegado-geral de polícia, Arthur Dian, afirmou que os cinco presos já tinham antecedentes criminais e integravam uma quadrilha especializada em sequestros-relâmpago, que incluía até um menor de idade.
O sucesso da operação foi possibilitado graças ao código de segurança previamente combinado entre o juiz e seu companheiro, que permitiu acionar a polícia antes que os criminosos invadissem totalmente o local. Após ser libertado, Samuel apresentou grande abalo emocional, precisou de atendimento médico em hospital e posteriormente pôde se reencontrar com a família.
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