Um voluntário de um museu em Taiwan acabou danificando uma obra de arte ao tentar limpar um espelho que fazia parte de uma instalação contemporânea. O espelho estava coberto por 40 anos de poeira, que integravam o conceito artístico do taiwanês Chen Sung-chih. O incidente ocorreu durante a mostra “We Are Me”, no Museu de Arte de Keelung. Apesar da intervenção imediata dos funcionários, a obra não pôde ser totalmente restaurada. O caso gerou pedido público de desculpas e abriu discussão sobre seguro, compensação financeira e preservação de obras conceituais.
Um simples ato de boa vontade terminou em desastre no Museu de Arte de Keelung, em Taiwan. Um voluntário, tentando ajudar na manutenção do espaço, danificou uma obra de arte contemporânea ao “limpar” um espelho que fazia parte da instalação. O problema é que o que ele achava ser sujeira era, na verdade, “40 anos de poeira”, elemento essencial da criação.
O caso aconteceu no último dia 3 de novembro, durante a exposição “We Are Me”, e gerou constrangimento entre os organizadores. De acordo com o jornal britânico Metro, o voluntário acreditou que o espelho estava empoeirado e decidiu limpá-lo, removendo boa parte do pó que fazia parte do conceito original da obra, assinada pelo artista Chen Sung-chih.
Funcionários do museu perceberam a situação e intervieram rapidamente, mas já era tarde demais. A obra foi danificada de forma irreversível, e o sentido artístico original acabou comprometido. O departamento de Cultura e Turismo da cidade precisou emitir um pedido público de desculpas e iniciou contato com o artista e os curadores da mostra para discutir possíveis medidas de reparo e indenização pelo dano.
Segundo o vice-diretor do departamento, Cheng Ting-ching, também foi acionada a seguradora responsável pelas peças, que avalia o valor da compensação.
A instalação de Chen Sung-chih é formada por espelhos antigos, tecidos e materiais de construção e explora temas como memória, transformação e o passar do tempo. A poeira que cobria o espelho não era descuido, fazia parte da mensagem estética, simbolizando a consciência cultural da classe média e a passagem de gerações.
Com a “limpeza acidental”, a crítica cultural virou piada entre internautas, que ironizaram o excesso de zelo do voluntário. O museu, no entanto, reforçou que o incidente será tratado com seriedade e que novas medidas de orientação estão sendo tomadas para evitar que a “faxina da arte” se repita.
