A Ypê informou nesta sexta-feira (15) que não realizará mais o ressarcimento financeiro aos consumidores que adquiriram os produtos suspensos pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). A fabricante havia anunciado anteriormente que devolveria o dinheiro e chegou a abrir um formulário online para coletar dados pessoais e chaves PIX dos clientes afetados, mas recuou e suspendeu os pagamentos no fim da tarde.
Por volta das 16h30, a página de reembolsos no site da empresa foi modificada e passou a oferecer apenas um formulário para Protocolo de Atendimento. A Ypê justificou a mudança com base em uma nova determinação da Anvisa, emitida na manhã desta sexta, que desobrigou o recolhimento imediato dos itens. “Conforme determinação da Anvisa em 15 de maio, os produtos lava-roupas líquidos, lava-louças líquidos e desinfetantes com lote final 1 não precisam ser devolvidos neste momento”, declarou a fabricante em nota.

Foto: Reprodução/Ypê.
Ordem de recolhimento é suspensa, mas proibição de uso continua
A diretoria colegiada da Anvisa decidiu, por unanimidade, suspender a obrigatoriedade de recolhimento dos produtos que já estão nas prateleiras ou nas casas dos consumidores. Contudo, a agência manteve a proibição rigorosa de fabricação, comercialização, distribuição e uso de 24 produtos da marca — todos correspondentes a lava-roupas líquidos, detergentes e desinfetantes com numeração de lote terminada em “1”.
A orientação oficial para a população é manter as embalagens fechadas e guardadas, interrompendo o uso imediatamente. A Ypê propôs à Anvisa a apresentação de laudos de laboratórios independentes para tentar liberar os lotes retidos. “Por precaução, a orientação é apenas que eles permaneçam guardados até que novos laudos de laboratórios independentes confirmem a ausência de contaminação”, informou a empresa.
Bactéria e falhas estruturais na fábrica de Amparo
O estopim para a intervenção sanitária foram inspeções realizadas na principal unidade da empresa, em Amparo (SP), onde técnicos da Anvisa e da vigilância estadual detectaram 76 irregularidades. O relatório aponta falhas graves no sistema de controle da água utilizada na produção, equipamentos com sinais de corrosão e armazenamento inadequado de resíduos. Análises laboratoriais confirmaram a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em mais de 100 lotes de produtos acabados.
Especialistas explicam que o microrganismo representa baixo risco para pessoas saudáveis, mas oferece perigo real para grupos vulneráveis, como imunossuprimidos, pacientes oncológicos, bebês e idosos fragilizados. A bactéria pode causar infecções graves ao entrar em contato com mucosas, olhos ou lesões na pele. A recomendação médica para quem utilizou os itens afetados é descartar esponjas de pia antigas e relavar toalhas e roupas íntimas com outro produto, além de monitorar reações como irritações persistentes ou febre.
Para tentar reverter o bloqueio das atividades, a Ypê apresentou um cronograma com 251 ações corretivas e prometeu um investimento de R$ 130 milhões para a modernização da fábrica paulista. A Anvisa agora exige que a empresa apresente um plano de gerenciamento detalhado contendo o mapa de distribuição completo dos lotes que chegaram ao mercado antes da fiscalização.