O cometa interestelar 3I/ATLAS pode cruzar a rota das sondas Europa Clipper (NASA) e Hera (ESA) entre o fim de outubro e o início de novembro. Se a previsão se confirmar, será a primeira vez que espaçonaves humanas atravessam a cauda de um cometa de fora do Sistema Solar, oferecendo uma oportunidade única para estudos sobre sua composição e interação com o vento solar.

3I/ATLAS deve atravessar rota de sondas da NASA e da Agência Espacial Europeia
3I/ATLAS deve atravessar rota de sondas da NASA e da Agência Espacial Europeia

Astrônomos preveem um fenômeno inédito na história da exploração espacial. O cometa interestelar 3I/Atlas pode cruzar o caminho de duas sondas ativas, a Europa Clipper, da Nasa, e a Hera, da Agência Espacial Europeia (ESA), entre o fim de outubro e o início de novembro de 2025.

Se a previsão se confirmar, será a primeira vez que uma espaçonave humana atravessará a cauda de um cometa vindo de fora do Sistema Solar, segundo nota divulgada pela Sociedade Astronômica Americana.

O 3I/Atlas foi descoberto em 2025 e é apenas o terceiro cometa conhecido com origem interestelar, ou seja, formado em outro Sistema Estelar. Esses corpos seguem trajetórias hiperbólicas, atravessando o Sistema Solar em alta velocidade antes de retornar ao espaço profundo, o que torna oportunidades de observação extremamente raras.

Simulações indicam que a sonda Hera poderá passar pela cauda do cometa até 1º de novembro, enquanto a Europa Clipper deve cruzar a mesma região entre 30 de outubro e 6 de novembro.

A cauda iônica do 3I/Atlas, formada pela interação do vento solar com gases e partículas do cometa, pode se estender por milhões de quilômetros. Mesmo sem colisão direta, as sondas poderiam detectar sinais da passagem, como variações no campo magnético e no fluxo de íons.

Os pesquisadores destacam que o evento pode fornecer informações valiosas sobre a composição química e o comportamento de cometas vindos de outros sistemas estelares, comparando-os com os cometas locais.

“Seria uma chance única de observar diretamente os efeitos do vento solar sobre um visitante interestelar”, afirmam os autores do estudo.

Simulação

Apesar do entusiasmo, os cientistas alertam que as previsões ainda são baseadas em modelos matemáticos e dependem da densidade e extensão reais da cauda do cometa. Além disso, as sondas não foram projetadas especificamente para estudar cometas, o que pode limitar os resultados.

Mesmo assim, a Nasa e a ESA já consideram ajustar suas rotinas de monitoramento para aproveitar a rara coincidência. Se confirmada, a travessia do 3I/Atlas poderá marcar um momento histórico na astronomia, oferecendo dados inéditos sobre como corpos de outros sistemas interagem com o Sol.

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