A Polícia Federal (PF) entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um relatório explosivo que culminou no indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seu filho, Eduardo Bolsonaro. O documento revela detalhes de uma conspiração para atrapalhar investigações e coagir autoridades, além de expor movimentações financeiras suspeitas e uma briga familiar que escalou para ameaças.

R$ 2 milhões, briga familiar e plano de fuga: veja o que diz relatório que indiciou Jair Bolsonaro

A Polícia Federal (PF) entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) um relatório explosivo que culminou no indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de seu filho, Eduardo Bolsonaro. O documento revela detalhes de uma conspiração para atrapalhar investigações e coagir autoridades, além de expor movimentações financeiras suspeitas e uma briga familiar que escalou para ameaças.

 Transações e Plano de Fuga

A PF, que teve acesso aos sigilos bancários do clã, descobriu que Bolsonaro transferiu R$ 2 milhões para a conta de sua esposa, Michelle Bolsonaro, em 4 de junho, um dia antes de prestar depoimento. A investigação aponta que a transação foi uma tentativa de se desfazer de recursos para evitar bloqueios judiciais e financiar as ações de Eduardo no exterior.

Além disso, a PF identificou que o ex-presidente fez outras transferências fracionadas a Eduardo, totalizando R$ 111 mil, para “evitar o acionamento de mecanismos de controle legal”.

O relatório também revelou que Bolsonaro planejava fugir do país. A PF encontrou um rascunho de um pedido de asilo político na Argentina, endereçado ao presidente Javier Milei, que comprovaria o plano de fuga.

A ameaça de Tarcísio

As mensagens mostram a preocupação de Eduardo Bolsonaro com o crescimento de Tarcísio na política. Após o pai lhe enviar uma pesquisa de intenção de votos para as eleições de 2026, Eduardo respondeu ironicamente, conforme transcrição da PF:

“Eu acho melhor ficar de fora [da corrida presidencial]… [Tarcísio] dialoga muito bem e que iria ‘anistiar geral’ e que o Supremo Tribunal Federal (STF), ‘que sempre foi nosso aliado’, não seria ‘óbice’ a essa anistia.”

Em seguida, o deputado continuou a provocar o pai, sugerindo que tudo “iria cair na sua conta”:

“Já imagino o TF falando com o Trump sobre a China… [e] o futuro dos seus netos… seria ‘falar inglês mesmo’.”

Conspiração contra Tarcísio e a “ajuda” dos EUA

O relatório da PF aponta que Eduardo Bolsonaro atuou nos Estados Unidos para enfraquecer a imagem de Tarcísio como o sucessor político de seu pai. Em uma mensagem, ele relatou a Jair Bolsonaro:

“Aqui nos EUA tivemos que driblar a idéia plantada aqui pelos aliados dele, de que ‘Tarcísio = Bolsonaro’, uma clara mensagem de que os EUA não precisariam entrar nesta briga, pois com TF (Tarcísio) ou vc Trump teria um aliado na presidência do Brasil em 2027.”

Em outra mensagem, Eduardo deixou claro o tom de chantagem e controle. Ao saber que Tarcísio estava com o pai em Brasília, ele pediu a Jair Bolsonaro que avisasse o governador que “se quiser acessar a Casa Branca ele não conseguirá”, pois, segundo ele, o acesso seria restrito apenas ao próprio deputado e ao blogueiro Paulo Figueiredo.

O relatório também destaca que Eduardo acusou Tarcísio de omissão na luta política do pai. “Só para te deixar ciente: Tarcísio nunca te ajudou em nada no STF. Sempre esteve de braço cruzado vendo vc se fuder e se aquecendo para 2026”, escreveu.

“Ingrato do Caralho!”: a briga de família

O relatório também trouxe à tona uma intensa briga entre pai e filho por meio de mensagens de WhatsApp. A ira de Eduardo foi motivada por uma declaração de Jair Bolsonaro em entrevista, na qual ele questionou a “maturidade” do filho para a política.

Em um momento de fúria, o deputado enviou mensagens ao pai, dizendo: “Eu ia deixar de lado a história do Tarcísio, mas graça [sic] aos elogios que vc fez a mim no Poder 360 estou pensando seriamente em dar mais uma porrada nele, para ver se vc aprender [sic]. VTNC SEU INGRATO DO CARALHO!”

O documento ainda mostra que Eduardo ameaçou abandonar suas articulações nos Estados Unidos para influenciar o julgamento do pai.

“Se o IMATURO do seu filho de 40 anos não puder encontrar com os caras aqui, PORQUE VC ME JOGA PRA BAIXO, quem vai se fuder é vc. E VAI DECRETAR O RESTO DA MINHA VIDA NESTA PORRA AQUI”, escreveu o deputado.

Horas depois, ele se desculpou, admitindo que havia “pegado pesado” e que estava “puto”.

Conspiração e o caso Malafaia

A investigação aponta que pai e filho tentaram, de forma deliberada, impedir a prisão de Bolsonaro e a condenação dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. A PF fez buscas contra o pastor Silas Malafaia, que teria enviado mensagens a Bolsonaro com sugestões de conteúdo para as redes sociais, com o intuito de coagir as autoridades.

“ATENÇÃO! Dispara esse vídeo às 12h”, dizia uma das mensagens de Malafaia para o ex-presidente.

Esses registros mostram que as “sanções articuladas dolosamente pelos investigados foram direcionadas para coagir autoridades judiciais do Supremo Tribunal Federal (STF)”.

A PF afirma que o objetivo final era “impedir eventual condenação criminal do ex-presidente Jair Bolsonaro e demais réus, acusados pela prática dos crimes de Organização Criminosa, Aboliçao Violenta ao Estado Democrático de Direito e golpe de Estado”.

A descoberta aponta que o foco principal das articulações não era a anistia dos envolvidos no 8 de janeiro, mas sim a busca por impunidade para o próprio ex-presidente.

O julgamento de Bolsonaro, que está em prisão domiciliar, está marcado para 2 de setembro. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o ex-presidente Jair Bolsonaro preste depoimento à Polícia Federal no prazo de até 48 horas.

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