O STF estendeu o julgamento da ação penal contra Jair Bolsonaro e outros réus da trama golpista após pedido do relator Alexandre de Moraes. A Primeira Turma, presidida por Cristiano Zanin, marcou sessões extras para a próxima quinta-feira (11). O julgamento já teve sustentações da PGR e das defesas, e será retomado com o voto de Moraes.
O julgamento da ação penal que investiga a trama golpista envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) terá um dia a mais de duração no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Alexandre de Moraes, relator do processo, solicitou sessões extras, e o presidente da Primeira Turma, ministro Cristiano Zanin, atendeu ao pedido nesta sexta-feira (5).
Sessões adicionais
As análises estavam inicialmente previstas para ocorrer na terça, quarta e sexta-feira da próxima semana. Com o novo calendário, o julgamento também terá sessões na quinta-feira (11), em dois turnos. Para viabilizar a mudança, a sessão do plenário da Corte que aconteceria no mesmo dia à tarde foi cancelada.
Em despacho, Moraes destacou a necessidade de ampliar os debates: “Solicito ao Excelentíssimo Presidente da Primeira Turma, ministro Cristiano Zanin, o agendamento de novas sessões complementares para a realização do julgamento, a serem realizadas na quinta-feira, dia 11/9/2025”.
O que já foi julgado
O julgamento começou nesta semana, com a leitura do relatório do processo e as sustentações orais da Procuradoria-Geral da República (PGR) e das defesas dos réus.
Na acusação, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que não era necessária uma ordem formal para caracterizar a tentativa de golpe. Segundo ele, os atos foram “documentados” e a ofensiva teria se consolidado quando Bolsonaro e o então ministro da Defesa convocaram a cúpula militar para discutir a formalização da ruptura democrática.
Já as defesas negaram a participação de seus clientes, questionaram a validade da delação premiada do ex-ajudante de ordens Mauro Cid e alegaram que a mera cogitação de um golpe não poderia ser considerada crime.
Posição da defesa
O advogado de Bolsonaro afirmou que o ex-presidente “não tem absolutamente nada a ver com punhal verde e amarelo, copa 22 e 8 de janeiro”, citando os planos golpistas mencionados pela PGR. Ele classificou a delação de Mauro Cid como “mentirosa” e tentou desqualificar as provas apresentadas.
A defesa do general da reserva Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e ex-chefe da Casa Civil, também criticou o andamento do processo, alegando restrições ao direito de defesa e pedindo a anulação da colaboração premiada de Cid, a qual chamou de “farsa”.
Próximos passos
O julgamento será retomado na próxima terça-feira (9) com o voto de Alexandre de Moraes, que deve ocupar a sessão da manhã. A expectativa é de que, se todas as datas forem utilizadas, a análise se estenda por 10 sessões em seis dias diferentes.
