Cristiano Zanin, presidente da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) e último a votar no julgamento da chamada trama golpista, indicou que deve acompanhar o relator Alexandre de Moraes e votar pela condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro. O ministro rejeitou as alegações de cerceamento de defesa apresentadas pelas defesas e afirmou que o grande volume de arquivos no processo não comprometeu o direito dos acusados.
O ministro Cristiano Zanin é o último a votar no julgamento da chamada trama golpista, que já formou maioria na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) para condenar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros sete aliados por crimes de organização criminosa, golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
Atual presidente da Turma, Zanin indicou durante a sessão que deve acompanhar o relator Alexandre de Moraes. Ele rejeitou as preliminares apresentadas pelas defesas, que alegavam cerceamento do direito de defesa diante do grande volume de arquivos digitais no processo.
“Não está aqui configurado nenhum cerceamento do direito de defesa”, afirmou Zanin.
Segundo o ministro, o elevado número de documentos reflete o fato de que, na era das plataformas digitais, será cada vez mais comum a existência de processos com muitos terabytes.
Com o voto de Zanin, a tendência é de consolidação da maioria pela condenação de Bolsonaro, que já conta com os votos de Moraes, Flávio Dino e Cármen Lúcia. Apenas o ministro Luiz Fux divergiu e votou pela absolvição do ex-presidente.
Definição das penas
Ainda falta a definição das penas, a chamada dosimetria, que deve ocorrer nesta sexta-feira (12) e levará em conta o grau de participação de cada réu nos fatos investigados.
Além de Bolsonaro, também foram condenados Alexandre Ramagem (ex-diretor da Abin), Almir Garnier (ex-comandante da Marinha), Anderson Torres (ex-ministro da Justiça), Augusto Heleno (ex-ministro do GSI), Mauro Cid (ex-ajudante de ordens da Presidência), Paulo Sérgio Nogueira (ex-ministro da Defesa) e Walter Braga Netto (ex-ministro da Casa Civil e candidato a vice na chapa de Bolsonaro em 2022).
