A condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (11), pode intensificar ainda mais a tensão entre Brasil e Estados Unidos, com risco de novas sanções econômicas e diplomáticas.

EUA ameaçam o Brasil após condenação de Jair Bolsonaro

A condenação de Jair Bolsonaro nesta quinta-feira (11) provou reações entre aliados e opositores, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, criticou Alexandre de Moraes e outros ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). O filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro também fez declarações em tom de ameaças após a decisão.

Rubio afirmou que o processo representa “uma perseguição política contínua” e reforçou que seu país reagirá de maneira apropriada a essa situação, acusando Moraes de decisão injusta após as eleições de 2022.

EUA podem enviar caças ao Brasil

Em uma entrevista polêmica à coluna de Paulo Cappelli, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) comentou a condenação de seu pai, Jair Bolsonaro, pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O parlamentar reagiu à declaração da porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, de que os Estados Unidos estariam dispostos a usar meios militares para proteger a liberdade de expressão.

Questionado sobre uma possível intervenção militar dos EUA no Brasil, Eduardo Bolsonaro não descartou a ideia. Ele argumentou:

“Se o regime brasileiro for consolidado e tiver uma evolução igual à da Venezuela, com eleições que não são nada transparentes, sem a ampla participação da oposição, regado a censura e prisões políticas, no Brasil pode perfeitamente no futuro ser necessária a vinda de caças F-35 e de navios de guerra”.

O deputado considerou a declaração da porta-voz americana “muito feliz”, afirmando que o posicionamento de Donald Trump demonstra a disposição em defender a liberdade. Ele ainda alertou: “Eu acho que se as autoridades brasileiras tiverem juízo, elas vão prestar muita atenção nesse discurso”.

Riscos de novas sanções

A condenação pode intensificar ainda mais a tensão entre Brasil e Estados Unidos, com risco de novas sanções econômicas e diplomáticas.

Especialistas em relações internacionais alertam que a medida, caso se confirme, poderia atingir diretamente autoridades brasileiras, afetar instituições financeiras e gerar impactos sobre o comércio bilateral, em um momento delicado para a economia nacional.

O presidente dos EUA, Donald Trump, não escondeu sua insatisfação com o julgamento. Ao embarcar para Nova York, onde assistiria a um jogo de beisebol, Trump comparou a situação de Bolsonaro com os próprios problemas que enfrentou na justiça americana.

“Eu achei que ele foi um bom presidente do Brasil. É muito surpreendente que isso possa acontecer. Isso é muito parecido com o que tentaram fazer comigo, mas não conseguiram de jeito nenhum. Só posso dizer o seguinte: eu o conheci como presidente do Brasil”, declarou.

O republicano já havia adotado medidas contra o Brasil em julho, quando anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, justificando a ação como resposta à chamada “caça às bruxas” contra Bolsonaro.

Não por acaso, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) também se manifestou, reforçando o risco de retaliações. À Reuters, nesta quinta-feira (10), ele afirmou que espera novas sanções dos Estados Unidos contra autoridades brasileiras. Segundo o parlamentar, todos os ministros do STF que votaram pela condenação de seu pai poderiam ser incluídos em medidas da Lei Magnitsky, instrumento que permite aos EUA sancionar estrangeiros por corrupção ou violações de direitos humanos. A legislação já havia sido usada pelo governo Trump contra o ministro Alexandre de Moraes, relator do processo.

Vídeos curtos

Mais lidas