Uma atualização das diretrizes brasileiras reclassifica a pressão arterial de 12 por 8 (120/80 mmHg) como pré-hipertensão. A medida, divulgada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia, SBN e SBH, visa identificar precocemente pessoas em risco, estimular hábitos saudáveis e prevenir doenças cardiovasculares como infarto, AVC e insuficiência renal.
Uma mudança significativa nas diretrizes de saúde do Brasil redefiniu os níveis de pressão arterial e gerou dúvidas entre os brasileiros. Afinal, com 12 por 8 (120/80 mmHg) é considerado pré-hipertenso?
O debate surgiu após a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), em parceria com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH), divulgarem na última quinta-feira (18) a atualização que reclassifica a medição de 120/80 mmHg como pré-hipertensão. Essa mudança representa um passo importante na prevenção e controle das doenças cardiovasculares.
Por que 12 por 8 não é mais considerado “ideal”?
A alteração se baseia em estudos recentes que indicam que, mesmo nesse patamar, o risco de desenvolver hipertensão no futuro é maior do que o ideal. A nova diretriz estabelece que a pressão arterial sistólica deve estar abaixo de 120 mmHg e a diastólica abaixo de 80 mmHg para ser considerada normal.
Segundo o cardiologista do Hospital Sírio-Libanês, Eugênio Moraes, dependendo do risco do paciente, ele passa a ser considerado pré-hipertenso com essa medida. Ele reforça que não se trata de uma doença, mas sim de um estado de alerta que exige ação imediata, principalmente por meio de intervenções não medicamentosas.
“O ponto principal é um chamamento para que as pessoas comecem a olhar mais para a sua saúde pelo olhar da pressão arterial, pensando na saúde atual. O intuito não é medicar, mas sim incentivar cuidados precoces”, explica Moraes.
O objetivo principal é prevenir a evolução para a hipertensão, que atinge cerca de 28% da população brasileira e é a principal causa de doenças crônicas, como AVC, infarto, insuficiência renal e demência.
O que fazer se você está na faixa de pré-hipertensão
Se sua pressão se enquadra na nova categoria de pré-hipertensão, não há motivo para pânico, mas sim para agir. As recomendações são simples e eficazes:
- Alimentação: Reduza drasticamente a ingestão de sódio (sal) e alimentos processados. Aumente o consumo de potássio, presente em frutas, vegetais, grãos integrais, oleaginosas e laticínios com baixo teor de gordura.
- Exercício físico: A prática regular de exercícios aeróbicos e de resistência reduz a incidência de hipertensão em até 19% e, em quem já é hipertenso, diminui o risco de mortalidade em 30%.
- Controle de peso: Manter um peso saudável é essencial, já que o excesso de peso sobrecarrega o coração e os vasos sanguíneos.
- Outros hábitos: Pare de fumar, modere o consumo de álcool e gerencie o estresse, que está diretamente ligado ao aumento da pressão arterial.
Moraes destaca que o uso de medicamentos para hipertensão só é recomendado para pacientes que não conseguem controlar a pressão com mudanças no estilo de vida.
Monitoramento e novas metas para hipertensos
A nova diretriz também endureceu as metas de tratamento para quem já é hipertenso. A meta anterior era 14 por 9, mas agora o ideal é que a pressão arterial fique abaixo de 13 por 8 (130/80 mmHg).
Em essência, o documento funciona como um alerta preventivo: adotar mudanças no estilo de vida e buscar acompanhamento médico coloca você no controle da saúde, reduzindo significativamente o risco de hipertensão e suas complicações.
