O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a se posicionar sobre a relação entre Brasil e Estados Unidos e deixou claro que, apesar das diferenças políticas, está disposto a dialogar com Donald Trump. A declaração foi feita nesta segunda-feira (22), em entrevista ao canal norte-americano PBS, durante viagem a Nova York, onde participa da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU).

Foto: reprodução/ Ricardo Stuckert
Foto: reprodução/ Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a se posicionar sobre a relação entre Brasil e Estados Unidos e deixou claro que, apesar das diferenças políticas, está disposto a dialogar com Donald Trump. A declaração foi feita nesta segunda-feira (22), em entrevista ao canal norte-americano PBS, durante viagem a Nova York, onde participa da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU).

“No momento em que o presidente Trump quiser falar de política, eu também converso sobre política. Nunca conversamos antes, porque ele fez uma escolha. Na minha opinião, isso foi um erro. Ele fez uma escolha de construir uma relação com Bolsonaro, e não uma relação com o povo brasileiro”, disse Lula.

Relação marcada por atritos

A fala ocorre em meio às tensões provocadas pelas tarifas de 50% impostas por Trump sobre produtos brasileiros, uma medida que, segundo Lula, extrapola o campo comercial. Para o presidente, a decisão teve caráter político e simboliza a opção do republicano por se alinhar ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Na minha opinião, isso foi um erro. Ele fez uma escolha de construir uma relação com Bolsonaro, e não uma relação com o povo brasileiro”, avaliou Lula.

O líder brasileiro ainda reforçou que relações internacionais devem ser tratadas de forma institucional:

“Um chefe de Estado precisa ter relação com outro chefe de Estado, independentemente da posição ideológica. São dois países fundamentais para as Américas, tanto em termos de democracia quanto de economia. É essencial uma relação civilizada”.

Trump, Bolsonaro e o peso político da tarifa

A imposição das tarifas por Trump ocorreu em paralelo ao julgamento de Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) por tentativa de golpe. Na ocasião, o republicano justificou a medida como uma forma de protesto contra a “caça às bruxas” a Bolsonaro. Para o governo brasileiro, a decisão abriu uma crise sem precedentes na relação bilateral, colocando em xeque a parceria entre as duas maiores economias do continente.

Expectativa pelo discurso na ONU

Lula desembarcou em Nova York no domingo (21) e abrirá, na terça-feira (23), os debates da Assembleia Geral da ONU, conforme a tradição brasileira. A expectativa é que o discurso seja calibrado, com recados indiretos a Trump e ao governo norte-americano.

Entre os pontos principais, Lula deve reforçar a soberania nacional diante das tarifas, valorizar a independência do STF no julgamento de Bolsonaro e apresentar o Brasil como um ator global comprometido com a democracia e o multilateralismo.

O pronunciamento também deve abordar a necessidade urgente de reformar a ONU, ampliando a representatividade no Conselho de Segurança, além de cobrar maior empenho dos países ricos em financiar projetos de preservação ambiental e de transição energética.

Brasil como anfitrião da COP30

Outro tema central será a preparação para a COP30, conferência do clima marcada para novembro e que terá o Brasil como sede. Lula deve aproveitar a visibilidade da ONU para pressionar nações desenvolvidas a cumprirem compromissos de financiamento de políticas contra as mudanças climáticas. O presidente pretende destacar a Amazônia como peça-chave para o equilíbrio ambiental global e mostrar que o Brasil está disposto a liderar o debate climático.

Reaproximação em aberto

Apesar do tom crítico, Lula deixou aberta a porta para uma eventual reaproximação com Trump, caso haja interesse do republicano. Para analistas, a declaração revela uma estratégia de equilíbrio: manter a firmeza diante das tarifas e, ao mesmo tempo, sinalizar disposição para diálogo, preservando canais diplomáticos em um cenário internacional marcado por incertezas.

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