Três pessoas morreram e oito ficaram hospitalizadas em São Paulo após consumir bebidas adulteradas com metanol, substância altamente tóxica. Em operação nesta segunda-feira (29), autoridades estaduais fiscalizaram bares e adegas nos bairros dos Jardins e Mooca, apreendendo 117 garrafas sem procedência, que serão enviadas à perícia. O metanol pode causar tontura, vômitos, cegueira e morte, e o tratamento é emergencial, incluindo administração controlada de álcool comum. Especialistas alertam para evitar bebidas clandestinas e de origem duvidosa.

SP tem mega fiscalização após mortes por metanol e novas apreensões são realizadas
SP tem mega fiscalização após mortes por metanol e novas apreensões são realizadas

O Governo de São Paulo intensificou nesta segunda-feira (29) uma operação de fiscalização em comércios suspeitos de vender bebidas adulteradas com metanol, após registros de intoxicações graves e mortes na região. Três estabelecimentos localizados nos bairros dos Jardins e Mooca foram inspecionados pelas secretarias da Saúde (SES) e Segurança Pública (SSP), em parceria com o Centro de Vigilância Sanitária (CVS) e a Vigilância em Saúde do Município de São Paulo (Covisa).

Durante a ação, foram apreendidas 117 garrafas sem rótulo ou comprovação de procedência, que seguem para perícia no Instituto de Criminalística da Polícia Técnico-Científica. Dois dos locais também receberam autuações por irregularidades sanitárias.

Balanço de casos e gravidade da intoxicação
Desde junho deste ano, três pessoas morreram e outras oito foram hospitalizadas em São Paulo após consumir bebidas adulteradas com metanol, substância altamente tóxica e de difícil identificação. Em um dos casos, uma vítima relatou ter perdido a visão após ingerir caipirinhas em um bar da capital, evoluindo para convulsões, internação em UTI e cegueira total.

O metanol (CH₃OH), conhecido como “álcool da madeira”, é um álcool incolor, inflamável e com odor semelhante ao etanol. Ele é utilizado legalmente na produção de biodiesel, solventes, tintas, plásticos e anticongelantes, mas não pode ser adicionado a bebidas para consumo humano devido ao alto risco de envenenamento.

Segundo médicos, os primeiros sintomas incluem tontura, vômito, dor abdominal, cólicas, alterações de consciência e confusão mental, podendo evoluir rapidamente para cegueira, coma e morte. Como o quadro inicial pode ser confundido com uma ressaca, especialistas alertam que a duração e progressão dos sintomas devem levar a busca imediata de atendimento médico.

Tratamento de emergência
O tratamento da intoxicação por metanol é considerado uma emergência hospitalar. Em casos graves, pode incluir diálise e medicamentos específicos. Uma das medidas de urgência é a administração controlada de etanol, que atua como inibidor competitivo, retardando a metabolização do metanol e permitindo que o corpo o elimine com segurança.

“Você pode aliviar todos os efeitos se chegar ao hospital cedo o suficiente”, destacou o professor Alastair Hay, da Universidade de Leeds, lembrando que mesmo pequenas doses podem ser fatais. “Você pode morrer com uma proporção muito pequena de metanol, e pode sobreviver com uma proporção bastante substancial, se conseguir ajuda. O antídoto mais importante é o álcool comum”, concluiu o especialista.

Fiscalização reforçada
As fiscalizações fazem parte de um trabalho contínuo das Vigilâncias Sanitárias. Somente em setembro, mais de 43 mil ações foram realizadas em 645 municípios paulistas, incluindo bares, restaurantes, adegas e comércios de bebidas e alimentos. O CVS reforça que o consumo de bebidas de procedência duvidosa representa risco grave à saúde e orienta que a população prefira produtos de fabricantes legalizados, com rótulo, lacre de segurança e selo fiscal.

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