Mortes e internações em São Paulo após consumo de bebidas adulteradas reacenderam o alerta sobre os riscos do metanol.
Três pessoas morreram e outras oito foram hospitalizadas em São Paulo após consumirem bebidas adulteradas com metanol, substância altamente tóxica e de difícil identificação. Em um dos casos, uma vítima relatou ter perdido a visão depois de ingerir caipirinhas em um bar da capital, evoluindo para convulsões, internação em UTI e cegueira total.
O metanol (CH₃OH), também chamado de “álcool da madeira”, é um álcool incolor, inflamável e com odor semelhante ao etanol. Usado legalmente na produção de biodiesel, solventes, tintas, plásticos e anticongelantes, ele não pode ser adicionado a bebidas para consumo humano devido ao alto risco de envenenamento.
Segundo médicos, os primeiros sintomas da intoxicação incluem tontura, vômito, dor abdominal, cólicas, alterações de consciência e confusão mental, podendo evoluir rapidamente para cegueira, coma e morte. Como o quadro pode ser confundido com uma ressaca comum, especialistas reforçam que a duração e progressão dos sintomas devem servir de alerta para a busca imediata de atendimento médico.
Tratamento
O tratamento é considerado uma emergência hospitalar. Em casos graves, pode incluir diálise e uso de medicamentos específicos. Uma das medidas de urgência é a administração controlada de etanol, que atua como inibidor competitivo e reduz a metabolização do metanol, dando tempo para o organismo eliminá-lo.
“Você pode aliviar todos os efeitos se chegar ao hospital cedo o suficiente”, destacou o professor Alastair Hay, da Universidade de Leeds, lembrando que mesmo pequenas doses podem ser fatais.
“Você pode morrer com uma proporção muito pequena de metanol, e pode sobreviver com uma proporção bastante substancial, se conseguir ajuda. O antídoto mais importante é o álcool comum”, conclui o especialista.
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