A Câmara aprovou urgência para projeto que classifica como crime hediondo a adulteração de bebidas e alimentos. A medida ocorre após 43 casos suspeitos de intoxicação por metanol no país. Em São Paulo, bares foram interditados e a PF investiga indústrias suspeitas de adulteração.
A Câmara dos Deputados aprovou, nesta quinta-feira (2), um requerimento de urgência para acelerar a tramitação do projeto que torna crime hediondo a adulteração de bebidas e alimentos. A proposta, apresentada em 2007, prevê pena mais rigorosa para quem adicionar substâncias que ofereçam risco à vida ou grave ameaça à saúde da população.
A medida ganhou força após a escalada de casos de intoxicação por metanol no Brasil, que já somam 43 notificações em dois meses, segundo o Ministério da Saúde. Desses, 39 ocorreram em São Paulo — dez confirmados e 29 em investigação —, além de quatro em Pernambuco. Uma morte foi confirmada e outros sete óbitos seguem sob análise.
A Constituição Federal classifica os crimes hediondos como inafiançáveis e insuscetíveis de anistia ou indulto, endurecendo a punição. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), incluiu o tema na pauta da semana em resposta à crise.
Na mesma sessão, também foi aprovada a urgência de um projeto que aumenta a pena para pedofilia e prevê monitoramento com tornozeleira eletrônica para condenados por crimes sexuais.
Bares interditados em São Paulo
O governo paulista já interditou seis estabelecimentos suspeitos de vender bebidas adulteradas com metanol. Na capital, os locais fechados ficam nos bairros Jardins, Bela Vista, Itaim Bibi e Mooca. Também foram suspensos dois bares em São Bernardo do Campo e Barueri, na Grande São Paulo.
Entre eles está o Supermercado BBR, na Bela Vista, onde a polícia apreendeu garrafas cheias e vazias de destilados. O local é apontado como fornecedor do bar Ministrão, interditado após uma cliente relatar ter ficado cega ao consumir caipirinhas de vodca.
Nas redes sociais, o Ministrão disse aguardar laudo oficial para se pronunciar. Outros bares, como o Villa Jardim e o Boteco da Villa, afirmaram que compram bebidas apenas de distribuidores confiáveis e que as interdições foram preventivas.
O rapper Hungria, que se apresentou no Villa Jardim no último domingo (28), está hospitalizado em Brasília por suspeita de intoxicação por metanol.
Operação da PF e do Mapa
Também nesta quinta-feira (2), a Polícia Federal (PF) e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) deflagraram uma operação em indústrias de bebidas da Grande São Paulo e da região de Sorocaba.
Foram coletadas amostras para identificar a presença de metanol em concentrações acima do permitido pela Vigilância Sanitária. O objetivo é apurar a origem, autoria e extensão da adulteração, que pode estar ligada ao crime organizado.
