Investigações indicam que Ana Paula Veloso Fernandes, suspeita de homicídios e envolvimento em pelo menos quatro crimes, teria planejado a morte de Hayder Mhazres, de 21 anos, para ficar com seus bens materiais.
Investigações indicam que Ana Paula Veloso Fernandes, suspeita de homicídios e envolvimento em pelo menos quatro crimes, teria planejado a morte de Hayder Mhazres, de 21 anos, para ficar com seus bens materiais.
Documentos e provas reunidos nos autos mostram que a investigada criou uma narrativa falsa de gestação para pressionar a vítima a fornecer recursos financeiros e benefícios antes de assassiná-lo.
Circunstâncias do falecimento e versões contraditórias
Hayder Mhazres, jovem tunisiano, faleceu em 23 de maio de 2025 no Condomínio Family Residences, em São Paulo. Segundo a própria Ana Paula, a vítima teria passado mal subitamente, sofrendo uma parada cardiorrespiratória.
Ela forneceu à polícia um endereço incorreto, dificultando a investigação, e alegou que Hayder tinha histórico de consumo de drogas, o que foi contestado por familiares, que afirmam que ele nunca usou entorpecentes. Testemunhas relataram que Hayder começou a passar mal, vomitou e perdeu a consciência sem conseguir se comunicar antes de falecer.

A investigação aponta que Ana Paula administrou uma substância tóxica à vítima, compatível com o organofosforado Terbufós (“chumbinho”), encontrado em sua residência. O laudo necroscópico inicial sugeriu morte súbita, mas análises complementares foram determinadas para confirmar indícios de envenenamento.
Chantagem e simulação de gravidez
De acordo com o inquérito, Ana Paula iniciou uma narrativa de gravidez em 15 de maio de 2025, afirmando estar gestante de Hayder. Apesar de a vítima ter solicitado a realização de um exame para confirmar a gestação, ela se recusou e enviou um documento falso atestando a gravidez. Materiais periciais indicam que Ana Paula e sua irmã Roberta Veloso Fernandes divulgaram a suposta gestação com o objetivo de forçar a vítima a casamento ou obter vantagens patrimoniais. Dias após o homicídio, Ana Paula chegou a simular gravidez em fotografias enviadas aos familiares de Hayder.
No dia do falecimento, Ana Paula contatou Hayder dizendo que precisava se encontrar com ele para “resolver a situação” e pedir que se casasse com ela, reforçando a intenção de uso do subterfúgio como meio de chantagem.
Ações pós-morte e tentativa de fraudar herança
Após a morte da vítima, Ana Paula manteve a narrativa da gestação para obter benefícios financeiros e reconhecimento como “herdeira”. Ela entrou em contato com a Embaixada da Tunísia, afirmando morar com Hayder e que queria se casar antes de o corpo ser enviado, desaparecendo quando os documentos comprobatórios foram solicitados.
Além disso, a suspeita criou perfis falsos em redes sociais para difamar a família da vítima, acusando-os falsamente de tráfico de drogas, exigindo dinheiro e zombando da condição de estrangeiros. As mensagens e áudios apreendidos nos celulares de Ana Paula mostram planejamento prévio, conhecimento da gravidade dos atos e tentativa deliberada de encobrir o crime e intimidar terceiros.
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