Uma nova informação sobre a morte do delegado Ruy Ferraz Fontes pode provocar uma reviravolta nas investigações. Durante o programa Alô Você, do SBT, o jornalista Luiz Bacci revelou que a polícia trabalha com a possibilidade de a trama ter sido articulada por alguém próximo ao ex-delegado.
Uma nova informação sobre a morte do delegado Ruy Ferraz Fontes pode provocar uma reviravolta nas investigações. Durante o programa Alô Você, do SBT, o jornalista Luiz Bacci revelou que a polícia trabalha com a possibilidade de a trama ter sido articulada por alguém próximo ao ex-delegado.
Quatro funcionários da administração municipal de Praia Grande foram alvos de mandados, sendo eles:
- Um agente de fiscalização da Secretaria de Urbanismo
- Um agente da Secretaria de Administração, que era comandada pelo delegado
- Um engenheiro
- Uma diretora da Secretaria de Planejamento da Cidade
A polícia estaria apurando um contrato de R$ 24 milhões, que pode ter motivado o assassinado. O contrato previa a ampliação do sistema de videomonitoramento e Wi-Fi do município, e Fontes, que atuava como secretário de Administração, teria descoberto irregularidades no processo antes de ser executado.
Relembre o caso
Ruy Ferraz Fontes, que já havia comandado a Polícia Civil de São Paulo e chefiado o Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), foi executado com pelo menos 29 disparos de fuzil quando dirigia o carro da esposa, um Fiat Argo sem blindagem.
O crime aconteceu por volta das 19h, na Avenida Dr. Roberto de Almeida Vinhas, em Praia Grande. Testemunhas relataram que cerca de seis homens encapuzados desceram de dois veículos — uma Toyota Hilux e um Jeep Renegade — e abriram fogo contra o delegado.
As investigações indicam que o ataque foi planejado com meses de antecedência. O Jeep Renegade usado na emboscada havia sido roubado em março, e a Hilux, tomada de assalto em julho, ambos na capital paulista. Após o homicídio, os veículos foram abandonados: o Renegade foi localizado intacto, enquanto a Hilux foi incendiada para eliminar vestígios. Um terceiro carro, um Logan branco, teria dado apoio logístico à quadrilha.
O Fantástico, da TV Globo, revelou que o Logan circulava pela cidade desde 18 de agosto, acompanhando a rotina de Ruy. Câmeras de segurança mostraram o carro passando diversas vezes nas imediações da prefeitura, no mesmo horário em que o delegado chegava e saía do expediente.
Linhas de investigação
Atualmente, a Polícia Civil trabalha com duas hipóteses principais:
Execução a mando do crime organizado: o delegado teria sido alvo de uma emboscada planejada pelo PCC, em retaliação às prisões e operações comandadas por ele no passado;
Queima de arquivo ligada à corrupção municipal: a morte estaria relacionada às denúncias de fraudes na licitação milionária para expansão do sistema de monitoramento e Wi-Fi de Praia Grande, contrato que Ruy teria questionado antes de ser morto.
De acordo com investigadores do DHPP, a chance de o crime estar ligado diretamente ao esquema de licitação é considerada “nove em uma escala de zero a dez”.
A operação que apura a fraude teve como um dos alvos o então subsecretário de Gestão e Planejamento, Sandro Rogério Pardini, de 60 anos, onde foram apreendidos R$ 50 mil, US$ 10.030 e 1.135 euros. Pardini deixou o cargo após as buscas, mas nega envolvimento no crime.
Suspeitos identificados
Até o momento, oito pessoas foram identificadas por participação direta ou indireta na execução:
Willian Silva Marques – dono de um imóvel usado para armazenar armamento;
Dahesly Oliveira Pires – responsável por buscar o fuzil na Baixada Santista;
Luiz Henrique Santos Batista, o “Fofão” – deu suporte na fuga de um dos executores;
Rafael Marcell Dias Simões, o “Jaguar” – se entregou em São Vicente;
Felipe Avelino da Silva, o “Mascherano” – ligado ao PCC, teve DNA identificado em veículo usado no crime;
Flávio Henrique Ferreira de Souza, 24 – também identificado por DNA;
Luis Antonio Rodrigues de Miranda – suspeito de ordenar a busca de uma das armas;
Umberto Alberto Gomes, 39 – morreu em confronto com o Deic no Paraná.
Cinco estão presos, dois foragidos e um morto.
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