Mãe e filha morrem após ingerirem bolo envenenado no Ipiranga. Familiares relatam pânico ao socorrer vítima, Larissa morreu e adolescente de 16 anos sobreviveu. Suspeitos são parentes com dívida com a vítima, e celular da prima indicaria pesquisas sobre intoxicantes.
A Polícia Civil de São Paulo investiga um caso chocante de duplo homicídio por envenenamento ocorrido no bairro do Ipiranga, zona sul da capital. Ana Maria de Jesus, de 52 anos, e sua filha, Larissa de Jesus Castilho, de 21, morreram após comerem um pedaço de bolo contaminado com inseticida. O doce havia sido entregue por parentes que, segundo as investigações, tinham uma dívida de cerca de R$ 20 mil com a vítima. Uma adolescente de 16 anos, também da família, sobreviveu após ingerir uma pequena porção do bolo.
A sobremesa fazia parte da festa de aniversário de uma criança da família, realizada em 7 de junho. Ana Maria não compareceu à confraternização porque estava gripada, mas no dia seguinte, o marido de uma prima da vítima se ofereceu para levar um pedaço até sua casa. Ele foi filmado nas câmeras de segurança na porta do imóvel, entregando o doce.
Segundo o boletim de ocorrência, Ana Maria comeu o bolo apenas no fim da tarde de 8 de junho. Cerca de 40 minutos depois, começou a sentir tontura, dores no corpo e fraqueza. Ligou para uma das filhas, dizendo que não conseguia ficar em pé. A filha correu até o local, mas, sem a chave, precisou da ajuda de um vizinho, que pulou o muro para abrir o portão. Ao entrar, encontrou a mãe deitada na cama, com o corpo roxo e espuma saindo pela boca.
“Não desconfiamos de envenenamento. Os médicos achavam que podia ser efeito de remédios ou drogas”, contou a filha sobrevivente em entrevista ao Alô Você.
Ana Maria foi entubada e levada ao Hospital Heliópolis, onde ficou internada por semanas.
Enquanto isso, Larissa, a filha mais velha, visitou a mãe no hospital e, ao voltar para casa, comeu o que restava do mesmo bolo. Ela chegou a comentar que o sabor estava amargo. Cerca de 20 minutos depois, começou a passar mal, teve convulsões e desmaiou. Mesmo com a chegada do SAMU e tentativas de reanimação, Larissa não resistiu e morreu em casa.
A adolescente de 16 anos, que também provou o bolo, sobreviveu. “Comi só uma colher e senti um gosto estranho. Foi eu quem chamei o socorro e vi a Larissa morrer na minha frente”, contou a jovem.
Entre idas e vindas do hospital, Ana Maria não resistiu e morreu em 29 de julho, com diagnóstico de insuficiência respiratória e intoxicação. Exames toxicológicos confirmaram a presença de inseticida doméstico no organismo das vítimas.
A polícia trata o caso como duplo homicídio e tentativa de homicídio. As principais suspeitas recaem sobre a sobrinha de Ana Maria e o marido dela — o mesmo que levou o bolo até a casa das vítimas. Além da dívida financeira, a polícia encontrou, no celular da suspeita, diversas pesquisas sobre produtos tóxicos e métodos de envenenamento.
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