A Polícia Civil concluiu o inquérito sobre a morte da veterinária Nathália Garnica, de 42 anos, e indiciou a mãe dela, Elizabete Arrabaça, de 68, por envenenamento com chumbinho em Pontal (SP). Elizabete já está presa e responde também pelo assassinato da nora, Larissa Rodrigues, morta da mesma forma. Segundo o delegado, ela agiu sozinha e os crimes tiveram motivação financeira. O inquérito foi enviado ao Ministério Público, e a defesa aguarda o parecer para se manifestar. Mãe e filho, o médico Luiz Antônio Garnica, seguem presos e respondem por feminicídio triplamente qualificado.
A Polícia Civil de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, concluiu o inquérito sobre a morte da médica veterinária Nathália Garnica, de 42 anos, e indiciou a mãe dela, Elizabete Arrabaça, de 68, como autora do crime. A causa da morte foi envenenamento por chumbinho, substância tóxica usada ilegalmente como raticida.
O caso ocorreu em 9 de fevereiro deste ano, em Pontal (SP), mas só passou a ser investigado meses depois, quando a nora de Elizabete, Larissa Rodrigues, também morreu envenenada. A semelhança entre as mortes levantou suspeitas sobre a idosa, que já estava presa e é ré no processo que apura o assassinato da professora de pilates.
Segundo o delegado Fernando Bravo, as investigações comprovaram que Elizabete agiu sozinha na morte da filha. “Investigamos toda a família e não ficou comprovado que alguém mais tenha participado. Os autos provaram que Elizabete foi a autora do envenenamento”, afirmou.
A polícia aponta motivação financeira nos dois crimes. O delegado informou que o inquérito foi concluído e será encaminhado ao Ministério Público para análise e possível denúncia.
O advogado de defesa, Bruno Correa, disse que ainda aguarda acesso ao teor completo do inquérito antes de se manifestar. Ele destacou que o inquérito policial não prevê contraditório e que a defesa só se pronunciará após o parecer do MP.
Além das mortes da filha e da nora, Elizabete é investigada em outros casos de homicídio e tentativa de homicídio.
Mortes em sequência
Nathália morreu em 9 de fevereiro, um dia após receber a visita da mãe. À época, o caso foi tratado como morte natural. Com a descoberta do envenenamento de Larissa, a polícia decidiu exumar o corpo de Nathália. O laudo toxicológico, concluído em 17 de junho, confirmou a presença de chumbinho.
As duas mortes ocorreram com diferença de apenas três meses. Em ambos os casos, Elizabete foi a última pessoa a estar com as vítimas.
Processo da morte da nora segue na Justiça
Na terça-feira (14), durante audiência de instrução do caso de Larissa Rodrigues, Elizabete e o filho, o médico Luiz Antônio Garnica, prestaram depoimento. O médico negou participação no crime e culpou a mãe pela morte da esposa e da irmã.
Já Elizabete negou qualquer envolvimento, contrariando inclusive uma carta enviada da prisão, em que afirmava que Larissa teria tomado, sem saber, um remédio contaminado com veneno de rato.
Mãe e filho são réus por feminicídio triplamente qualificado, por motivo torpe, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima, e permanecem presos desde maio.
