A esposa do delegado Ruy Ferraz, morto em Praia Grande, no litoral de São Paulo, rompeu o silêncio neste domingo (19) e falou sobre a morte do marido durante entrevista ao programa Domingo Espetacular.

Foto: reprodução/redes sociais
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A esposa do delegado Ruy Ferraz, morto em Praia Grande, no litoral de São Paulo, rompeu o silêncio neste domingo (19) e falou sobre a morte do marido durante entrevista ao programa Domingo Espetacular.

Katia Pagani relembrou o momento em que soube do assassinato. “Cheguei em casa do trabalho, o meu celular tocou de uma forma diferente. Liguei para ele na mesma hora, uma outra pessoa atendeu e me contou o que tinha acontecido”, disse a viúva.

Durante a entrevista, Katia destacou a dedicação de Ruy Ferraz à profissão e falou sobre o último projeto do delegado. “Qualquer trabalho que ele tivesse, ele agiria da mesma forma. Da mesma forma que ele buscava perfeição na polícia, ele fazia na prefeitura, ele não temia nada”, afirmou.

Ausência de carro blindado

A viúva também explicou por que o delegado não estava em carro blindado no dia do assassinato, apesar da exigência da profissão. “Ele era muito teimoso, eu sempre falava pra ele: ‘amor, anda de carro blindado, porque você não anda?’ Ele acreditava que o veículo gastava muito e por isso comprou um modelo mais simples para trabalhar”, disse Katia.

Dias antes do crime

Segundo ela, Ruy Ferraz não trazia problemas do trabalho para casa, embora estivesse preocupado com os rumos da investigação das fraudes em licitações na cidade. Questionada sobre o assunto, Katia foi categórica: “Não posso responder essa pergunta, por questão de segurança”.

A viúva relatou ainda que, dias antes do assassinato, Ruy estava nervoso e ansioso, mas acreditava se tratar de algo rotineiro devido à pressão do trabalho. “Ele teve alguns dias que estava nervoso, estressado, mas isso também acontecia quando ele era delegado geral. Ele estava com o humor mais ácido e não me respondeu; ele não iria transferir isso para mim”, explicou.

O prefeito de Praia Grande, Alberto Pereira Mourão, comentou que o delegado poderia estar preocupado com a própria vida, devido a ameaças recebidas no passado.

Morte de Ruy Ferraz

Há um mês, em 15 de setembro, o ex-delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo Ruy Ferraz Fontes, então secretário de Administração de Praia Grande, foi morto a tiros em uma emboscada na Baixada Santista. O caso, de grande repercussão, ainda segue sem desfecho definitivo. Até o momento, cinco pessoas foram presas por suspeita de envolvimento na execução.

De acordo com fontes ligadas à investigação, o Departamento de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) trabalha com duas principais linhas de investigação:

  1. Vingança do crime organizado, especialmente do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção que Ruy combateu durante sua carreira policial.

  2. Retaliação dentro da prefeitura, motivada pela fiscalização de um contrato milionário de R$ 24,8 milhões destinado à ampliação do sistema de videomonitoramento e Wi-Fi da cidade.

Prisões e morte de suspeito

Além de Mascherano, outros quatro suspeitos estão presos:

  • William Silva Marques, dono da casa usada como QG do crime;

  • Rafael Marcell Dias Simões, o Jaguar, um dos atiradores;

  • Dahesley Oliveira Pires, apontada como responsável por buscar o fuzil usado na execução;

  • Luiz Henrique Santos Batista, o Fofão, acusado de ajudar na fuga.

Outro suspeito, Umberto Alberto Gomes, foi morto em confronto com a polícia no Paraná. Ele teria participado diretamente do ataque.

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