A investigação do desaparecimento da estudante trans da Unesp, Carmen de Oliveira Alves, em Ilha Solteira, ganhou novo rumo com a revelação de mensagens à Justiça. Os textos mostram que a vítima era ameaçada de morte pelo namorado, também estudante. A denúncia oferecida pelo Ministério Público aponta a relação conturbada e a pressão para que o companheiro assumisse o namoro como pivôs das brigas.
A estudante trans, Carmen de Oliveira Alves, que desapareceu em Ilha Solteira, interior de São Paulo, em 12 de junho, havia compartilhado com uma amiga as constantes ameaças de morte que recebia do namorado.
Nas mensagens, obtidas pelo Ministério Público de São Paulo, e, incluídas na denúncia oferecida à Justiça nesta semana, indicam que a vítima mantinha um relacionamento conturbado e era pressionada pelo companheiro, Marcos Yuri Amorim, também estudante da mesma universidade que Carmem.
Relacionamento conturbado
O relacionamento entre Carmen e Marcos Yuri era caracterizado por instabilidades. Conforme o material da investigação, o rapaz não demonstrava disposição em assumir publicamente o namoro com Carmen e ainda mantinha envolvimento com outras pessoas, incluindo um policial militar ambiental da reserva, identificado como Roberto Carlos Oliveira.
A estudante, insatisfeita com a falta de comprometimento e a postura reservada do namorado, frequentemente o pressionava para que a relação fosse oficializada.
As exigências impostas por Carmem, culminavam em discussões acaloradas, momentos em que, segundo os relatos contidos nas conversas com a amiga, Yuri proferia as ameaças de morte contra a vítima.
Relatos à amiga três meses antes do sumiço
As transcrições das mensagens enviadas pela estudante à amiga são um ponto crucial na denúncia apresentada pelo MPSP à Justiça na última segunda-feira(20). Em uma das comunicações, datada de 9 de março deste ano, cerca de três meses antes de seu desaparecimento, Carmen expressa sua profunda preocupação.
“Amiga, eu quero falar uma coisa muito séria com você. Se acontecer alguma coisa comigo, saiba que foi o Yuri, tá? Só isso”, escreveu a estudante para amiga.
Em outro trecho, Carmen reforça a necessidade de alertar alguém, citando o receio de que o agressor ficasse impune após sua morte.
“Tivemos uma briga bem séria, e ele me ameaçou de morte! Eu não duvido nada do Yuri“, afirmou ela.
As provas apresentadas pelo Ministério Público reforçam a hipótese de que o desaparecimento de Carmen de Oliveira Alves esteja diretamente ligado às ameaças e à dinâmica violenta que permeava seu relacionamento com Marcos Yuri Amorim. A Justiça agora avalia o material para dar prosseguimento ao caso.
Leia também no BacciNoticias:
