Cientistas conseguiram converter o tipo sanguíneo de um rim, permitindo que ele fosse transplantado para um paciente com tipo diferente. Apesar da rejeição após dois dias, o resultado é considerado um marco rumo ao desenvolvimento de um “rim universal”, que pode reduzir drasticamente o tempo de espera por transplantes.
Um avanço promissor na medicina pode transformar o futuro dos transplantes de órgãos. Pesquisadores conseguiram modificar o tipo sanguíneo de um rim humano, criando o que pode ser o primeiro passo para o desenvolvimento de um rim “universal”, compatível com pacientes de qualquer grupo sanguíneo.
O experimento, realizado por cientistas da Universidade da Colúmbia Britânica e da Universidade de Chongqing, na China, foi publicado na revista Nature Biomedical Engineering. Os pesquisadores usaram enzimas especiais para remover os antígenos que definem o tipo sanguíneo de um rim doado — transformando um órgão do tipo A em um órgão “neutro”, sem marcações que causam rejeição em pacientes de outros tipos.
O órgão foi então transplantado em um paciente com morte cerebral, que havia autorizado o estudo. Inicialmente, o rim funcionou normalmente, mas após dois dias começou a ser rejeitado. Os cientistas descobriram que o corpo voltou a produzir os antígenos originais, o que levou à rejeição. Mesmo assim, o resultado foi considerado um grande passo.

(Faculdade de Medicina da Colúmbia Britânica/Nature Biomedical Engineering./Divulgação
“É como remover a tinta vermelha de um carro e revelar a base neutra”, explicou o pesquisador Stephen Withers, um dos responsáveis pelo estudo. “Depois disso, o sistema imunológico não vê mais o órgão como estranho.”
Atualmente, o tipo sanguíneo é um dos maiores obstáculos nos transplantes. Um paciente com sangue tipo O, por exemplo, só pode receber órgãos do mesmo tipo — e isso aumenta o tempo de espera. No Brasil, mais de 42 mil pessoas aguardam um transplante de rim, enquanto apenas 6 mil cirurgias foram realizadas em 2024.
A ideia de criar órgãos compatíveis com qualquer tipo sanguíneo pode revolucionar o sistema de transplantes, reduzindo filas e ampliando as chances de sucesso das cirurgias. “Ver anos de pesquisa se aproximando de um impacto real é o que nos motiva”, afirmou Withers.
