Após nove meses, o rim de porco transplantado em Tim Andrews falhou e precisou ser removido. O órgão, que passou por 69 modificações genéticas, funcionou por 271 dias, o recorde mais longo já registrado. Mesmo com a falha, o caso representa um importante avanço nos estudos sobre xenotransplantes e no uso de órgãos de animais em humanos.
Após nove meses de funcionamento, o rim de porco transplantado em um paciente americano precisou ser removido devido a sinais de rejeição. O caso, conduzido pelo Massachusetts General Hospital, nos Estados Unidos, é considerado um marco no avanço dos xenotransplantes, procedimentos que utilizam órgãos de animais modificados geneticamente em seres humanos.
O paciente, Tim Andrews, de 67 anos, viveu 271 dias com o rim, um recorde mundial. Ele foi o quarto indivíduo a receber um rim de porco geneticamente alterado. Antes dele, três pacientes haviam passado pelo mesmo tipo de cirurgia, mas nenhum sobreviveu por tanto tempo com o órgão funcionando.
De acordo com o hospital, o órgão começou a apresentar queda na função renal em outubro e precisou ser retirado. Apesar disso, os médicos classificaram o caso como um “grande avanço científico”, já que o transplante demonstrou que é possível manter um órgão animal ativo por meses em um corpo humano.
O rim removido, apelidado de “Wilma” por Andrews, foi produzido pela empresa eGenesis, de Massachusetts, e passou por 69 alterações genéticas para reduzir os riscos de rejeição e eliminar vírus que poderiam afetar humanos.

Foto: Kate Flock/Massachusetts General Hospital
Andrews, que passou mais de dois anos em diálise antes da cirurgia, voltou ao tratamento e permanece na fila de espera por um rim humano compatível.
“Eu comparo o experimento a uma viagem à Lua. Sou apenas uma das pessoas nessa jornada que enfrentaram dor e desafios para fazer o programa avançar”, declarou o paciente à revista Science.
Os xenotransplantes são vistos por cientistas como uma alternativa para combater a escassez global de órgãos. Somente nos Estados Unidos, mais de 100 mil pessoas aguardam na fila por um transplante — cerca de 90 mil delas precisam de rins.
O estudo com Tim Andrews reforça o potencial da tecnologia CRISPR, que permite editar o DNA de animais para torná-los compatíveis com o corpo humano. Apesar das limitações e dos riscos de rejeição, especialistas afirmam que os resultados abrem caminho para o futuro dos transplantes entre espécies.
