A megaoperação realizada na última terça-feira (28) nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, tinha como objetivo principal capturar Edgar Alves de Andrade, mais conhecido como Doca ou Urso, líder do Comando Vermelho (CV). Mesmo com uma das maiores mobilizações já realizadas pelas forças de segurança do estado, envolvendo cerca de 2,5 mil agentes civis e militares e resultando em mais de 120 mortes, Doca conseguiu escapar, driblando uma enorme força-tarefa que visava desmantelar a cúpula da facção.

Edgar Alves de Andrade, mais conhecido como Doca ou Urso, líder do Comando Vermelho (Foto: Reprodução)
Edgar Alves de Andrade, mais conhecido como Doca ou Urso, líder do Comando Vermelho (Foto: Reprodução)

A megaoperação realizada na última terça-feira (28) nos complexos da Penha e do Alemão, no Rio de Janeiro, tinha como objetivo principal capturar Edgar Alves de Andrade, mais conhecido como Doca ou Urso, líder do Comando Vermelho (CV). Mesmo com uma das maiores mobilizações já realizadas pelas forças de segurança do estado, envolvendo cerca de 2,5 mil agentes civis e militares e resultando em mais de 120 mortes, Doca conseguiu escapar, driblando uma enorme força-tarefa que visava desmantelar a cúpula da facção.

Aos 55 anos, Doca é considerado um dos criminosos mais perigosos do país. Ele acumula centenas de registros criminais e mais de 30 mandados de prisão ativos. De acordo com investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), ele é responsável por ordenar confrontos contra o Estado, assim como roubos de cargas e veículos, tortura, homicídios, ocultação de cadáveres e até crimes envolvendo menores de idade. Entre os episódios mais chocantes, destacam-se os homicídios de três crianças em Belford Roxo, em 2020, que teriam sido autorizados por Doca por conta de um desentendimento envolvendo um passarinho.

Doca ocupa atualmente a terceira posição na hierarquia do Comando Vermelho, ficando atrás apenas de Fernandinho Beira-Mar e Marcinho VP, ambos presos em penitenciárias federais. Durante a megaoperação, o líder utilizou uma estratégia de proteção: dezenas de integrantes da facção formaram barreiras para desviar a atenção da polícia, garantindo que ele pudesse escapar ileso. A complexidade de sua fuga evidencia o nível de organização e disciplina que mantém dentro da facção. O Disque Denúncia do Rio oferece recompensa de R$ 100 mil para informações que levem à captura de Doca, valor recorde para um procurado do estado.

História no crime

A trajetória de Doca no crime começou há pelo menos duas décadas. Em 2007, foi preso em flagrante por porte de arma e tráfico de drogas na Vila da Penha, bairro da Zona Norte do Rio. Mesmo encarcerado, conseguiu ascender na facção, assumindo posições estratégicas de comando e ampliando a influência do CV nas comunidades. Após progressão de pena, passou a cumprir regime semiaberto e, fora da prisão, consolidou seu papel como um dos líderes mais violentos da organização.

Além do tráfico, Doca se envolveu em operações sofisticadas, como a utilização de drones armados contra milicianos e adversários da facção. Ele também teria atuado como elo em esquemas de lavagem de dinheiro, intermediados por figuras políticas, incluindo o caso do deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos, conhecido como TH Joias. As investigações apontam que Doca teria se encontrado com aliados para fechar negócios ilícitos, movimentando recursos e mantendo a influência da facção mesmo sob pressão policial.

Nos últimos anos, Doca liderou a expansão territorial do Comando Vermelho, recuperando áreas que haviam sido perdidas para milícias e aumentando o controle da facção em mais de 50% das comunidades da Região Metropolitana do Rio. Sua liderança foi marcada pela violência extrema e pela estratégia de intimidação, mantendo o controle por meio de ordens de execução, tortura e extorsão.

Apesar da megaoperação que deixou um rastro de destruição,  incluindo a morte de quatro policiais e de mais de 117 suspeitos de envolvimento com o CV , Doca continua foragido. A polícia mantém buscas intensas e reforça a recompensa pelo líder, considerado um dos criminosos mais procurados do país.

Veja também: 

Vídeos curtos

Mais lidas