O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta sexta-feira (14) uma medida que reduz tarifas de importação sobre café, carne bovina, tomate e banana, em uma tentativa de conter a inflação dos alimentos após o “tarifaço” que elevou em até 50% as taxas. A decisão beneficia grandes fornecedores agrícolas, especialmente o Brasil, maior produtor de café do mundo e segundo maior de carne bovina, que é um dos principais parceiros comerciais dos EUA, segundo o Departamento de Agricultura (USDA).

Trump assinou a redução de tarifas sobre alimentos importados, medida que pode impulsionar café e carne bovina do Brasil nos EUA. Foto: Ricardo Stuckert/PR.
Trump assinou a redução de tarifas sobre alimentos importados, medida que pode impulsionar café e carne bovina do Brasil nos EUA. Foto: Ricardo Stuckert/PR.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou nesta sexta-feira (14) uma medida que reduz tarifas de importação sobre café, carne bovina, tomate e banana, em uma tentativa de conter a inflação dos alimentos após o “tarifaço” que elevou em até 50% as taxas.

A decisão beneficia grandes fornecedores agrícolas, especialmente o Brasil, maior produtor de café do mundo e segundo maior de carne bovina, que é um dos principais parceiros comerciais dos EUA, segundo o Departamento de Agricultura (USDA).

A Casa Branca divulgou uma lista com centenas de itens que terão tarifas reduzidas. As novas regras valem de forma retroativa a partir da madrugada de quinta-feira (13), às 2h01 (horário de Brasília).

Em 2024, o Brasil exportou quase US$2 bilhões e em café aos Estados Unidos, mas as vendas despencaram após o aumento tarifário em agosto. Segundo o Cecafé, apenas em outubro houve retração de mais de 54% em relação ao ano anterior. Nos EUA, o produto também ficou mais caro: o preço do café subiu cerca de 20% no último ano, de acordo com o CPI, índice oficial de inflação ao consumidor.

Decisão foi tomada após acordos

O representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, afirmou que Trump decidiu isentar alimentos e produtos que não são produzidos internamente, especialmente após fechar acordos comerciais com Argentina, Equador, El Salvador e Guatemala nesta quinta-feira (13). Essas negociações devem ser concluídas nas próximas semanas e incluem compromissos desses países de não taxarem serviços digitais de big techs.

Apesar dos avanços diplomáticos, o Brasil não foi incluído nesses acordos iniciais. O governo brasileiro tenta negociar uma suspensão das sobretaxas impostas pelo tarifaço para, só depois, avançar na discussão de setores específicos. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, se reuniu recentemente com o secretário de Estado Marco Rubio em Washington e afirmou esperar uma resposta dos EUA sobre a proposta brasileira.

Conversa entre Lula e Trump

Lula e Trump conversaram pessoalmente em outubro, na Malásia, durante encontro paralelo à cúpula dos países asiáticos, Asean. Na ocasião, Trump afirmou que a situação tarifária poderia ser resolvida rapidamente, expectativa que o governo brasileiro tenta transformar em um acordo provisório.

A principal queixa dos EUA na mesa de negociação é o mercado de etanol brasileiro, que aplica uma tarifa de 18% ao produto americano, fabricado a partir do milho. O Brasil, por sua vez, reclama da proteção rígida aos produtores de açúcar nos EUA, o que trava avanços na reciprocidade comercial.

Nesta semana, Trump já havia afirmado em entrevista à Fox News que reduziria “algumas tarifas” sobre o café brasileiro — movimento agora oficializado pela Casa Branca.

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