Roberto Soriano, conhecido como Tiriça, ex-número 2 do Primeiro Comando da Capital, cumpre um castigo disciplinar de 30 dias na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

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Roberto Soriano, conhecido como Tiriça, ex-número 2 do Primeiro Comando da Capital, cumpre um castigo disciplinar de 30 dias na Penitenciária Federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte. A punição começou na última terça-feira (11), depois que agentes encontraram um osso de frango afiado na cela do detento, objeto que, segundo a administração, poderia ser usado como arma para rendição de servidores.

Integrantes do sistema prisional afirmam que o material estava adaptado de forma semelhante a uma lâmina. Já pessoas próximas a Soriano contestam a versão e dizem que o presídio não serve alimentos com ossos, justamente para impedir a fabricação de instrumentos que representem risco.

Durante o período de castigo, o detento fica completamente isolado, sem banho de sol e sem direito a visitas da família. O isolamento deve durar até a proximidade do Natal.

Treze anos no sistema federal

Tiriça é o preso há mais tempo no Sistema Penitenciário Federal, completando 13 anos de permanência em unidades federais. Ele ingressou em Porto Velho, em novembro de 2012, após determinação da Justiça paulista. A transferência ocorreu após a apreensão de um bilhete encontrado no telhado da P2 de Presidente Venceslau, atribuído pelos peritos ao próprio Soriano. O documento continha ordens para ataques a policiais da Rota, instruções sobre refino de cocaína e orientações para instalação de fuzis em veículos. O réu negou ser o autor.

A defesa de Tiriça afirma que as renovações sucessivas de permanência em presídios federais se baseiam em relatórios antigos, produzidos há mais de uma década, com informações imprecisas e sem respaldo em investigações formais.

Ao longo dos anos, o preso passou por Porto Velho, Mossoró, Catanduvas e Brasília, retornando ao Rio Grande do Norte em 2024.

Ruptura com Marcola e queda na hierarquia

A relação entre Tiriça e Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, líder máximo do PCC, deteriorou-se em 2022. Naquele ano, Marcola disse a um policial penal que Soriano seria “psicopata”. A conversa, gravada, acabou usada no julgamento que condenou Tiriça a 31 anos e seis meses pelo assassinato da psicóloga Melissa de Almeida Araújo, morta em 2017.

O vazamento do áudio provocou a reação de Soriano, que passou a chamar Marcola de delator. A ruptura levou à expulsão de Tiriça, Vida Loka e Andinho da facção em fevereiro de 2024.

A penalidade atual se soma ao histórico de disputas internas e movimentações no sistema federal, onde Soriano permanece sob vigilância rigorosa.

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