O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira que integrantes de alta patente das Forças Armadas e um policial federal chegaram a estruturar um plano para matá-lo e para envenenar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (18) que integrantes de alta patente das Forças Armadas e um policial federal chegaram a estruturar um plano para matá-lo e para envenenar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As declarações ocorreram durante a leitura do voto no julgamento do núcleo 3 da trama golpista, grupo identificado nas investigações como “kids pretos”.
Documentos descrevem armas, explosivos e envenenamento
Moraes citou trechos de relatórios da Polícia Federal que detalham estudos feitos pelos investigados sobre armas, explosivos e formas de execução. Entre os registros apreendidos, segundo o ministro, estão análises sobre ataques de curto, médio e longo alcance, além da possibilidade de neutralização por meio de artefatos explosivos.
O relator destacou também que o grupo discutiu o envenenamento do então candidato Lula com um “remédio capaz de induzir colapso orgânico”, aproveitando-se, segundo eles, de uma suposta vulnerabilidade do estado de saúde do presidente.
“Tudo isso está descrito nos documentos apreendidos, com cálculos sobre chances de êxito e métodos para evitar danos colaterais. Havia estudo dos locais, das condições das execuções e das proteções das autoridades de segurança, que também deveriam ser neutralizadas”, afirmou.
Julgamento não trata de tentativa de homicídio
Durante a sessão, Moraes fez questão de esclarecer que o julgamento não envolve denúncia por tentativa de homicídio, já que a Procuradoria-Geral da República (PGR) não imputou esse crime aos réus. O ministro disse que essa explicação se tornou necessária após a circulação de desinformação nas redes sociais.
“Caso estivéssemos julgando uma tentativa de homicídio contra mim, Lula ou Alckmin, eu estaria impedido de participar da análise. Mas isso não está em discussão aqui”, ressaltou.
Mesmos crimes atribuídos ao núcleo ligado a Bolsonaro
Os acusados do núcleo 3 respondem pelos mesmos crimes atribuídos ao núcleo 1, onde está o ex-presidente Jair Bolsonaro. Moraes lembrou que o monitoramento contra ele ocorreu ainda em novembro de 2021, culminando na Operação Copa 2022, que desarticulou parte da estrutura da organização criminosa.
Segundo o ministro, os investigados buscavam “eliminar o centro gravitacional” do processo eleitoral, expressão presente em documentos apreendidos. A estratégia incluía sua remoção da presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e a instalação de uma comissão controlada pelo grupo para comandar a Justiça Eleitoral.
Leia também:
