Um canal especializado em cobertura aeroespacial registrou o momento exato em que o foguete HANBIT-Nano, da empresa sul-coreana Innospace, sofreu uma falha e explodiu logo após o lançamento.

Reprodução / Space Orbit
Reprodução / Space Orbit

Um canal especializado em cobertura aeroespacial registrou o momento exato em que o foguete HANBIT-Nano, da empresa sul-coreana Innospace, sofreu uma falha e explodiu logo após o lançamento, na noite de segunda-feira (22), no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão. O veículo não tripulado realizava o primeiro lançamento comercial a partir da base brasileira.

As imagens foram captadas pelo canal Space Orbit, que acompanhava a operação presencialmente com transmissão ao vivo. Cerca de 40 segundos após a decolagem, o apresentador Pedro Pallotta relatou uma explosão durante o voo. Em seguida, as câmeras registraram a queda do foguete e o impacto com o solo.

Em nota oficial, a Força Aérea Brasileira informou que o foguete apresentou uma “anomalia” após deixar a plataforma, o que provocou a colisão com o solo. Segundo a FAB, equipes da Aeronáutica e do Corpo de Bombeiros do Centro de Lançamento de Alcântara foram enviadas ao local para analisar os destroços e a área atingida.

Ainda de acordo com a FAB, todas as etapas sob responsabilidade militar, incluindo segurança, rastreamento e coleta de dados, foram executadas conforme o planejamento, dentro dos padrões internacionais do setor espacial. As equipes técnicas da Innospace atuam em conjunto com a Aeronáutica e outros órgãos na apuração das causas do ocorrido.

A empresa sul-coreana também transmitia o lançamento ao vivo, mas interrompeu o sinal poucos segundos após a decolagem, exibindo um aviso em inglês informando que uma anomalia havia sido identificada durante o voo. Antes do corte, era possível observar uma aparente explosão nas imagens. Até o momento, a Innospace não divulgou um comunicado detalhado sobre o incidente.

O lançamento havia sido adiado cinco vezes desde novembro, segundo a FAB. A janela de lançamento se encerrava nesta segunda-feira.

O HANBIT-Nano transportava oito dispositivos experimentais, sendo sete brasileiros e um indiano. Entre eles estavam dois nanossatélites desenvolvidos pela Universidade Federal de Santa Catarina, voltados ao estudo de sistemas de comunicação de baixo consumo energético, além de um satélite educacional com tecnologias em teste e mensagens de estudantes da rede pública e de comunidades quilombolas.

A Operação Spaceward envolve cooperação entre o setor público e a iniciativa privada. A base é operada pela Força Aérea Brasileira, enquanto a Innospace foi responsável pelo transporte, montagem e verificação do foguete. A Agência Espacial Brasileira atuou no licenciamento e na fiscalização da operação.

O lançamento ocorreu duas décadas após o acidente de 2003 em Alcântara, quando a explosão do foguete VLS-1 matou 21 técnicos e engenheiros durante preparativos para a decolagem. Desde então, o Brasil tem buscado ampliar sua atuação no setor espacial por meio de parcerias e investimentos em tecnologia própria.

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