Segundo a análise, a ausência de documentos que confirmem assinatura ou consentimento dos beneficiários compromete a segurança jurídica dessas operações e levanta suspeitas de que muitos empréstimos possam ter sido contratados sem autorização

Sede do INSS (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)
Sede do INSS (Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil)

Um parecer técnico produzido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) identificou irregularidades consideradas “graves” e “insanáveis” em mais de 250 mil contratos de crédito consignado firmados entre aposentados e pensionistas e o Banco Master.

As operações foram realizadas por meio de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) firmado entre a instituição financeira e o INSS. O contrato venceu em setembro do ano passado e não foi renovado após a detecção de possíveis problemas nos procedimentos adotados.

Lei que proíbe descontos em aposentadorias e pensões do INSS é sancionada com vetos; entenda

De acordo com os técnicos da autarquia, grande parte dos contratos analisados não possuía provas confiáveis de assinatura ou autorização dos segurados, seja por documentos físicos ou por validação biométrica segura e auditável. A situação levantou a suspeita de que muitos empréstimos podem ter sido liberados sem o conhecimento dos aposentados e pensionistas. As informações foram reveladas pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmadas pelo EXTRA.

O crédito consignado é uma modalidade de empréstimo em que as parcelas são descontadas diretamente do benefício previdenciário, antes mesmo do valor ser depositado na conta do beneficiário.

Segundo o relatório do INSS, a falta de uma manifestação clara de vontade do beneficiário compromete a legalidade dos empréstimos e expõe uma população vulnerável a descontos indevidos em benefícios de natureza alimentar.

Ao todo, 251.718 contratos apresentaram falhas documentais, o que representa 74,3% dos 338.608 acordos firmados pelo Banco Master entre outubro de 2021 e setembro de 2025.

Autarquia exigiu comprovação de assinaturas digitais

O INSS informou que, no segundo semestre do ano passado, o Banco Master tentou firmar um termo de compromisso para corrigir as irregularidades identificadas nos contratos de crédito consignado. Como parte do processo, a autarquia exigiu a apresentação de documentos que comprovassem que as assinaturas digitais pertenciam, de fato, aos beneficiários, por meio de validação via QR Code.

No entanto, a instituição financeira não apresentou as comprovações solicitadas, o que impediu a formalização do acordo. Posteriormente, o Banco Master acabou sendo liquidado por determinação do Banco Central, em novembro de 2025.

Além disso, a instituição também é alvo de uma investigação da Polícia Federal, que apura suspeitas de fraudes em transações financeiras que somam cerca de R$ 12,2 bilhões e envolvem o banco e o BRB, instituição estatal do Distrito Federal.

Leia mais:

Vídeos curtos

Mais lidas