Imagens divulgadas no domingo (11) mostram corpos espalhados pelo chão em uma rua em frente ao Centro Médico Legal de Kahrizak, em Teerã, capital do Irã.

Reprodução | IntelNet / Tabzlive
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Imagens divulgadas no domingo (11) mostram corpos espalhados pelo chão em uma rua em frente ao Centro Médico Legal de Kahrizak, em Teerã, capital do Irã. O local passou a funcionar como necrotério improvisado para receber vítimas da onda de protestos antigovernamentais que se espalham pelo país há cerca de duas semanas.

Nos vídeos, é possível ver familiares reunidos diante do prédio, muitos em prantos, enquanto tentam identificar parentes entre os mortos. As cenas evidenciam a gravidade da repressão e o impacto dos confrontos sobre a população civil.

Necrotério improvisado e corpos ao ar livre

Um dos vídeos mostra sacos pretos para cadáveres enfileirados em uma passarela do lado de fora do instituto forense. Há também corpos dispostos no que parece ser o pátio da unidade, alguns em terreno irregular e outros a poucos metros de veículos estacionados, enquanto familiares circulam pelo local em busca de informações.

Outro registro, gravado na sexta-feira (9), revela o interior de um galpão próximo ao centro forense. A área foi adaptada às pressas para funcionar como necrotério e aparece tomada por corpos em sacos pretos, alinhados no chão e sobre mesas de metal.

O grupo ativista Mamlekate afirmou que o número de mortos levados ao instituto é tão elevado que os corpos passaram a ser colocados no pátio, por falta de espaço interno.

A mídia estatal iraniana reconheceu as imagens registradas na unidade médica, mas alegou que a maioria dos corpos seria de “pessoas comuns”, transeuntes que teriam sido arrastados para os protestos. As autoridades atribuíram as mortes a ações de “manifestantes violentos”.

As manifestações, motivadas pela deterioração das condições econômicas e pela insatisfação popular com o regime, são consideradas as mais desafiadoras ao governo iraniano em anos.

Governo reconhece 2 mil mortos

Na terça-feira (13), uma autoridade iraniana afirmou a uma agência de notícias que cerca de duas mil pessoas morreram durante os protestos, incluindo membros das forças de segurança. Foi a primeira vez que o governo reconheceu oficialmente um número tão alto de vítimas. Segundo a autoridade, “terroristas” estariam por trás das mortes de manifestantes e agentes de segurança, sem detalhar quem são os responsáveis ou apresentar a divisão dos óbitos.

Grupos de direitos humanos, no entanto, contestam os números oficiais e afirmam que mais de 10.600 pessoas foram presas desde o início dos protestos, além de alertarem para denúncias de violações graves, incluindo o risco de aplicação da pena de morte contra manifestantes detidos.

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