Fernando Haddad anunciou que não pretende disputar nenhum cargo em 2026 e revelou que já comunicou a decisão a Lula. O ministro da Fazenda disse querer se afastar da política eleitoral para discutir um projeto de país no cenário internacional e avaliou que o avanço da extrema-direita tem alterado profundamente o ambiente político.

Receita Federal irá criar delegacia especializada no combate ao crime organizado e lavagem de dinheiro (Foto: Diogo Zacarias/MF)
Receita Federal irá criar delegacia especializada no combate ao crime organizado e lavagem de dinheiro (Foto: Diogo Zacarias/MF)

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta segunda-feira (19) que não tem planos de concorrer a nenhum cargo eletivo em 2026. Em entrevista, ele revelou que já comunicou pessoalmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sua decisão de não entrar na disputa e que conversas sobre sua eventual saída do governo começaram na semana passada.

Segundo Haddad, a escolha foi apresentada em diferentes ocasiões ao chefe do Executivo. Ele destacou a relação de confiança com Lula e disse que levou ao presidente suas ponderações sobre o futuro político. Para o ministro, o momento é de se afastar das disputas eleitorais e abrir espaço para reflexões mais amplas sobre o país.

Ao explicar seus planos, Haddad afirmou que pretende dedicar um período a debates sobre um projeto nacional com foco no cenário internacional. “Não estou pensando em cargos políticos”, reiterou, ao defender que a prioridade é contribuir para a formulação de ideias e diretrizes para o Brasil em um contexto global cada vez mais instável.

Nos bastidores, a avaliação é de que Lula busca construir um palanque sólido em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. No entanto, interlocutores do Planalto admitem que a possibilidade de derrota pesa na estratégia, já que o governador Tarcísio de Freitas aparece como favorito nas pesquisas de intenção de voto.

Haddad também fez uma análise crítica do ambiente político atual. Para ele, o avanço da extrema-direita gera instabilidade e abre espaço para candidaturas improváveis ganharem força. O ministro afirmou que esse fenômeno explica como figuras antes consideradas periféricas passaram a ser vistas como alternativas viáveis ao poder central.

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