A Índia enfrenta um novo alerta sanitário com a confirmação de casos do vírus Nipah em 2026. Até o momento, ao menos cinco infecções foram registradas entre profissionais de saúde no estado de Bengala Ocidental, segundo autoridades locais. Apesar do número limitado de casos, a situação gera preocupação devido à elevada taxa de mortalidade associada ao patógeno, que varia entre 40% e 75%.
A Índia enfrenta um novo alerta sanitário com a confirmação de casos do vírus Nipah em 2026. Até o momento, ao menos cinco infecções foram registradas entre profissionais de saúde no estado de Bengala Ocidental, segundo autoridades locais. Apesar do número limitado de casos, a situação gera preocupação devido à elevada taxa de mortalidade associada ao patógeno, que varia entre 40% e 75%.
Como medida preventiva, cerca de 110 pessoas foram colocadas em quarentena, enquanto aeroportos e instituições públicas reforçaram protocolos de segurança. Em algumas regiões, escolas chegaram a suspender temporariamente as aulas.
O que é o vírus Nipah e como ocorre a transmissão
O vírus Nipah é uma zoonose, ou seja, uma doença transmitida de animais para humanos. Seus hospedeiros naturais são morcegos frugívoros do gênero Pteropus, conhecidos popularmente como raposas-voadoras. Essas espécies não existem no Brasil, sendo encontradas principalmente em áreas da Ásia, Oceania e leste da África.
A infecção ocorre quando humanos ou outros animais consomem alimentos contaminados por secreções desses morcegos, como saliva ou urina. Após a transmissão inicial, o vírus também pode se espalhar de pessoa para pessoa, especialmente em ambientes hospitalares ou durante cuidados diretos a pacientes infectados.
Sintomas variam de quadros leves a complicações graves
Em alguns casos, a infecção pelo vírus Nipah pode ser assintomática. Quando há manifestação clínica, os sintomas iniciais costumam se assemelhar aos de uma gripe, incluindo febre, dor de cabeça, dor de garganta e dores musculares.
Com a progressão da doença, o quadro pode evoluir para complicações severas, como insuficiência respiratória aguda e encefalite aguda, uma inflamação do cérebro que provoca alterações no nível de consciência. Atualmente, não há tratamento específico nem vacina disponível contra o vírus.
Origem do vírus e primeiros surtos na Ásia
O vírus Nipah foi identificado pela primeira vez entre 1998 e 1999, na vila de Sungai Nipah, na Malásia. Naquele período, a transmissão ocorreu a partir de porcos contaminados, afetando principalmente criadores que mantinham contato direto com os animais. Com a comercialização desses porcos, o vírus chegou também a Singapura, onde trabalhadores de um abatedouro foram infectados.
Entre a Malásia e Singapura, foram registrados 276 casos, sendo 105 mortes, o que representou uma letalidade próxima de 40%, segundo estudos científicos. Quase todos os casos estavam ligados à indústria suína, o que indicava que, naquele contexto, o vírus não era transmitido diretamente dos morcegos para os humanos.
Para conter o surto, cerca de um milhão de porcos foram abatidos. Desde então, não houve novos registros da doença na Malásia.

Expansão e recorrência em Bangladesh
Apesar do controle na Malásia, o vírus permaneceu ativo em outras regiões da Ásia. O primeiro surto em Bangladesh ocorreu em 2001 e marcou o início de uma sequência de episódios quase anuais no país. Entre 2001 e 2005, foram registrados cinco surtos, com 102 casos confirmados e uma taxa de mortalidade de 75%.
Em Bangladesh, foi identificada uma cepa diferente do vírus Nipah. Nessa região, houve registros consistentes de transmissão direta entre pessoas, além da contaminação direta dos morcegos para humanos, sem a necessidade de um animal intermediário. Dados do Instituto de Epidemiologia, Controle de Doenças e Pesquisa do país apontam que apenas em 2002, 2006 e 2016 não houve casos registrados.
Histórico do vírus Nipah na Índia
Na Índia, os surtos são menos frequentes do que em Bangladesh, mas igualmente graves. O primeiro ocorreu em 2001, na cidade de Siliguri, em Bengala Ocidental. Desde então, o estado de Kerala se tornou um dos mais afetados pelo vírus.
Em 2018, um surto em Kerala resultou na morte de 21 das 23 pessoas infectadas, segundo a Organização Mundial da Saúde. Já em 2019 e 2021, foram registradas duas mortes, incluindo a de uma criança de 12 anos, caso que teve grande repercussão internacional.
O surto atual ocorre novamente em Bengala Ocidental, região que faz fronteira com Bangladesh. As autoridades esperam controlar a disseminação por meio de isolamento dos casos, monitoramento médico e testagem em massa, estratégias que já se mostraram eficazes em episódios anteriores.

Situação global e dados acumulados
Segundo a Coalizão para Inovações em Preparação para Epidemias, até dezembro do ano passado o vírus Nipah havia acumulado cerca de 750 casos confirmados e 415 mortes em todo o mundo. Outras regiões consideradas de risco incluem Camboja, Indonésia, Filipinas, Tailândia e Gana, conforme a Organização Mundial da Saúde.
Na Índia, a principal forma de transmissão continua sendo o contato indireto com morcegos, que têm se aproximado de áreas urbanas e contaminado alimentos, especialmente frutas. Também há registros de transmissão entre profissionais de saúde durante o atendimento a pacientes infectados, o que reforça a necessidade de medidas rigorosas de proteção e vigilância sanitária.
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