O registro de erros de grafia durante uma atividade conduzida por monitores em uma escola cívico-militar de Caçapava, no interior de São Paulo, gerou debate sobre o papel desses profissionais dentro das unidades de ensino. O caso ocorreu no início do ano letivo e foi confirmado pela Secretaria da Educação do Estado.

Erros de grafia registrados durante atividade com monitores em escola cívico-militar de Caçapava geraram debate sobre atuação dos profissionais em sala. Foto: Divulgação.
Erros de grafia registrados durante atividade com monitores em escola cívico-militar de Caçapava geraram debate sobre atuação dos profissionais em sala. Foto: Divulgação.

O registro de erros de grafia durante uma atividade conduzida por monitores em uma escola cívico-militar de Caçapava, no interior de São Paulo, gerou debate sobre o papel desses profissionais dentro das unidades de ensino. O caso ocorreu no início do ano letivo e foi confirmado pela Secretaria da Educação do Estado.

Durante uma aula relacionada a comandos militares, palavras como “descançar” e “continêcia” foram escritas de forma incorreta no quadro. As grafias corretas são “descansar” e “continência”. Segundo a secretaria, o monitor responsável foi alertado e corrigiu os termos ainda durante a atividade.

A apresentação fazia parte de uma introdução à chamada ordem unida, conjunto de movimentos padronizados comuns à formação militar. A ação foi conduzida por policiais militares aposentados que atuam como monitores no modelo cívico-militar adotado pela rede estadual.

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Questionamentos sobre atuação dos monitores

O episódio levantou discussões sobre os limites da atuação dos monitores dentro das escolas. Isso porque, anteriormente, a Secretaria da Educação havia informado que esses profissionais não deveriam ministrar conteúdo pedagógico nem atuar diretamente em sala de aula.

Em nota, a pasta afirmou que a participação foi pontual e que não faz parte da rotina prevista pelo programa. O órgão também reforçou que todo o conteúdo pedagógico segue sob responsabilidade exclusiva dos professores.

Funcionamento do modelo cívico-militar

De acordo com o governo estadual, os monitores atuam no apoio à organização escolar, com foco em disciplina, respeito e promoção de valores cívicos. Eles também passam por avaliações semestrais para verificar a adaptação ao ambiente escolar.

Atualmente, cerca de cem escolas da rede paulista adotam o modelo cívico-militar, atendendo aproximadamente 53 mil estudantes, o que representa cerca de 1,5% das matrículas da rede estadual. Ao todo, 208 policiais militares aposentados trabalham como monitores nas unidades participantes.

Críticas ao programa

A implantação do modelo também recebe críticas de entidades educacionais. A Apeoesp, sindicato que representa professores da rede estadual, se posicionou contra a iniciativa e questionou a presença de militares aposentados no ambiente escolar sem formação pedagógica.

Segundo a entidade, a promoção de disciplina e valores cívicos deve ser feita pelos próprios docentes, dentro do processo educativo. Já o governo estadual sustenta que o programa não altera o projeto pedagógico das escolas e serve apenas como apoio à rotina escolar.

A implementação das escolas cívico-militares é uma das promessas da atual gestão estadual e tem custo estimado em cerca de R$ 17 milhões por ano, destinados ao pagamento dos monitores.

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