A Heineken anunciou que pretende cortar entre 5 mil e 6 mil postos de trabalho nos próximos dois anos, o equivalente a quase 7% do quadro global. A decisão ocorre em meio à queda nas vendas de cerveja e à pressão sobre as margens da companhia. A empresa também revisou suas projeções de crescimento para 2026, em um cenário de retração que atinge todo o setor.
A Heineken anunciou nesta quarta-feira (11) que pretende cortar até 6 mil empregos em sua operação global após enfrentar queda nas vendas de cerveja e pressão sobre as margens de lucro. As demissões representam quase 7% do quadro total da companhia, que conta com cerca de 87 mil funcionários em todo o mundo.
A fabricante das marcas Heineken, Amstel e Tiger informou que o programa de produtividade deve gerar economias e reduzir entre 5 mil e 6 mil postos de trabalho nos próximos dois anos. Parte dos cortes deve atingir operações na Europa e mercados considerados menos estratégicos, além de áreas da cadeia de suprimentos, sede e unidades regionais.
Segundo o diretor financeiro da companhia, Harold van den Broek, a medida busca fortalecer as operações e abrir espaço para novos investimentos. “Estamos fazendo isso para fortalecer nossas operações e poder investir no crescimento”, afirmou durante teleconferência de resultados.
A decisão ocorre em um cenário de consumo enfraquecido, com pressão sobre o orçamento dos consumidores e condições climáticas desfavoráveis que impactaram as vendas recentemente. O setor de bebidas alcoólicas como um todo enfrenta retração, e concorrentes também têm anunciado medidas semelhantes. A Carlsberg, por exemplo, confirmou cortes de empregos e revisou suas projeções para o próximo ano.
Para 2026, a Heineken projeta crescimento dos lucros entre 2% e 6%, abaixo da faixa estimada para 2025, que varia de 4% a 8%. Ainda assim, a empresa informou que o lucro operacional anual de 2025 avançou 4,4%, superando a expectativa de analistas, que era de 4%.
A companhia também vive um momento de transição na liderança, após a renúncia inesperada do presidente-executivo Dolf van den Brink, em janeiro. A empresa busca um novo CEO para comandar a próxima fase de reestruturação.
Mesmo com o anúncio das demissões, as ações da Heineken registraram alta de cerca de 4%, acumulando valorização aproximada de 7% desde o fim de 2025.
