A Acadêmicos de Niterói abrirá o Carnaval 2026 com um enredo biográfico sobre o presidente Lula. Dividido em cinco setores, o desfile percorrerá desde a infância pobre no agreste pernambucano, a migração para São Paulo, a liderança sindical no ABC, até a implementação de grandes programas sociais durante seus mandatos presidenciais. O carnavalesco Tiago Martins propõe uma visão humanizada e artística, destacando a esperança como tema central.

Lula vai à Sapucaí, mas não desfila; Janja deve cruzar a avenida - Foto: Reprodução/PR
Lula vai à Sapucaí, mas não desfila; Janja deve cruzar a avenida - Foto: Reprodução/PR

A Marquês de Sapucaí será palco de um dos desfiles mais comentados do Carnaval 2026. A Acadêmicos de Niterói, responsável por abrir os desfiles do Grupo Especial neste domingo (15), escolheu como tema a vida e o legado de Luiz Inácio Lula da Silva. Sob a assinatura do carnavalesco Tiago Martins, a escola promete uma narrativa que mistura o realismo fantástico do sertão com a luta política que marcou a história recente do Brasil.

Do Sertão ao Alto do Mulungu: A Infância de Esperança

O desfile começa mergulhando nas raízes nordestinas de Lula, em Garanhuns (PE). O primeiro setor, intitulado “No choro de Luiz, à luz de Garanhuns”, utiliza o realismo fantástico para retratar a infância cercada por mitos e dificuldades. A árvore Mulungu, onde Lula brincava quando criança, é o símbolo central dessa fase, representando o local de onde ele vislumbrava um futuro melhor. A figura de sua mãe, Dona Lindu, é o fio condutor dessa narrativa, destacada como a base de sua resiliência.

A Travessia e o Chão de Fábrica

A migração da família Silva para São Paulo em um “pau de arara”, fugindo da seca de 1952, ganha destaque no segundo setor. A matéria avança para a fase operária de Lula, quando ele recebe o diploma de torneiro mecânico pelo Senai — o que ele descreve como sua “chave do paraíso”. Alas como a dos “Torneiros Mecânicos” (Ala 09) e a própria bateria da escola, que vem fantasiada de “Operário Idealista”, simbolizam o amadurecimento político dentro das fábricas do ABC Paulista.

A Luta Sindical e a Estrela Vermelha

O desfile aborda o período das grandes greves no final da década de 70, em plena Ditadura Militar. O surgimento do Partido dos Trabalhadores (PT) é representado na Ala 12, intitulada “Estrela Vermelha”, utilizando as cores vermelho e branco para simbolizar a união dos trabalhadores e a busca pela paz. O desfile também recorda a primeira vitória eleitoral de Lula como deputado constituinte em 1986, celebrada pela Velha-Guarda da escola.

Políticas Sociais e o Legado no Planalto

Os setores finais da escola focam no impacto social de seus mandatos presidenciais. Diversas alas da comunidade foram desenhadas para representar programas e conquistas específicas:

  • Fome Zero e Bolsa Família: Representados na ala “A fome tem pressa”.

  • Luz Para Todos e Minha Casa, Minha Vida: Carnavallizados em fantasias que mostram o acesso a direitos básicos.

  • Prouni: A ala “Tem filho de pobre virando doutor” é composta, em sua maioria, por ex-alunos beneficiados pelo programa.

  • Causas Indígenas e LGBTQIAPN+: O desfile exalta a demarcação de terras e políticas de combate à discriminação.

Soberania e o Brasil Atual

O encerramento do desfile, no quinto setor, foca no terceiro mandato de Lula e na defesa da soberania nacional. A escola encerra sua apresentação com uma ode à democracia, reafirmando o Carnaval como um espaço de memória política e celebração popular.

Leia mais no BacciNotícias:

Vídeos curtos

Mais lidas