Com a chegada do Carnaval, período marcado por grandes aglomerações, festas e consumo de bebidas alcoólicas, aumenta também a preocupação das autoridades com o chamado golpe do “Boa Noite, Cinderela”. Dados recentes indicam que mais de 4 mil ocorrências já foram registradas no estado do Rio de Janeiro, e outro levantamento aponta cerca de 80 casos formais envolvendo turistas apenas em 2025.
Com a chegada do Carnaval, período marcado por grandes aglomerações, festas e consumo de bebidas alcoólicas, aumenta também a preocupação das autoridades com o chamado golpe do “Boa Noite, Cinderela”. Dados recentes indicam que mais de 4 mil ocorrências já foram registradas no estado do Rio de Janeiro, e outro levantamento aponta cerca de 80 casos formais envolvendo turistas apenas em 2025.
O período de folia é considerado de alerta máximo pelas forças de segurança, que reforçam orientações sobre o cuidado com bebidas em blocos, festas e eventos noturnos. Relatos de abordagens suspeitas e vítimas dopadas tendem a crescer justamente nesse contexto.
Mas, além da atuação policial, especialistas destacam que a informação é uma das principais formas de prevenção.
Em entrevista ao portal BacciNotícias, o médico endocrinologista Wandyk Allison explicou como o golpe funciona e quais são os efeitos das substâncias utilizadas no organismo.
“O chamado ‘Boa Noite, Cinderela’ consiste na administração não consentida de substâncias depressoras do sistema nervoso central, geralmente adicionadas à bebida da vítima”, afirma o especialista.
Segundo ele, essas drogas atuam diretamente no cérebro, reduzindo rapidamente o nível de consciência, o senso crítico e a capacidade de reação da pessoa.
“Do ponto de vista fisiológico, ocorre uma depressão aguda do sistema nervoso central, com sedação intensa, alteração da coordenação motora e prejuízo da memória recente. Em casos mais graves, pode haver perda de consciência e até depressão respiratória”, explica Wandyk.
Drogas mais usadas e efeitos
De acordo com o médico, o efeito do golpe é ainda mais perigoso quando combinado com álcool, prática comum nesse tipo de crime.
“O álcool funciona como um potencializador dos efeitos dessas drogas, o que faz com que a vítima seja rapidamente incapacitada, muitas vezes confundindo o quadro com uma embriaguez comum”, alerta.
Entre as substâncias mais utilizadas estão benzodiazepínicos, como diazepam e clonazepam; zolpidem; GHB/GBL, considerado um dos mais perigosos; além de antipsicóticos sedativos e anti-histamínicos. Todas causam sonolência intensa, confusão mental e amnésia.
Sinais de alerta
Os sintomas costumam surgir de forma rápida, geralmente entre 10 e 40 minutos, mesmo após poucos goles da bebida. Entre os principais sinais estão:
Sonolência súbita e intensa
Confusão mental inesperada
Dificuldade para andar ou falar
Perda de memória recente
Náuseas e vômitos precoces
Visão turva ou dupla
Sensação de “apagão”
“Apagão rápido após pequena ingestão de bebida deve sempre ser considerado um sinal de alerta”, reforça o especialista.
O que fazer ao suspeitar do golpe
Wandyk Allison orienta que a vítima aja rapidamente para reduzir riscos e preservar provas.
“É fundamental interromper o consumo da bebida imediatamente, não ficar sozinha e procurar atendimento médico o quanto antes”, destaca.
Entre as principais recomendações estão:
Parar de beber imediatamente
Avisar alguém de confiança
Buscar atendimento em UPA ou hospital
Evitar banho ou troca de roupas, se houver suspeita de violência
Guardar o copo ou a garrafa, se possível
Registrar ocorrência assim que estiver em segurança
O médico alerta que muitas dessas substâncias são eliminadas rapidamente do organismo, o que torna o atendimento precoce essencial.
Tratamento
Não há antídoto específico para a maioria das drogas utilizadas nesse tipo de golpe. O tratamento é feito com suporte clínico, incluindo monitoramento dos sinais vitais, hidratação, oxigênio e observação neurológica.
“Em casos mais graves, pode ser necessário suporte respiratório. O uso de antagonistas é raro e geralmente evitado, pois há risco quando há suspeita de múltiplas substâncias envolvidas”, conclui Wandyk Allison.
Com o avanço dos casos durante o Carnaval, autoridades e especialistas reforçam: atenção redobrada, informação e cuidado com a própria bebida podem salvar vidas.