Uma executiva da Meta revelou que teve todos os seus e-mails apagados após um agente de inteligência artificial “alucinar” durante a execução de uma tarefa. A ferramenta, que deveria apenas analisar quais mensagens poderiam ser excluídas, acabou deletando a caixa de entrada inteira, levantando alertas sobre os riscos do uso de agentes autônomos com permissões amplas.
A diretora de segurança e alinhamento do time de superinteligência artificial da Meta, Summer Yue, afirmou que um agente de inteligência artificial apagou todos os seus e-mails após interpretar de forma incorreta um comando. Segundo ela, a ferramenta deveria apenas analisar o conteúdo da caixa de entrada e sugerir quais mensagens poderiam ser excluídas, mas acabou executando a exclusão automática.
O agente em questão é o OpenClaw, que ganhou notoriedade recentemente por ter sido usado na criação do Moltbook, uma rede social voltada exclusivamente para robôs. Capaz de automatizar diversas tarefas, como gerenciamento de e-mails, contratos e até dispositivos inteligentes, a ferramenta também levanta preocupações pelo nível de acesso que exige.
De acordo com Summer Yue, o OpenClaw havia sido testado anteriormente em uma caixa de entrada experimental, onde funcionou corretamente. No entanto, ao ser utilizado em sua conta real, que possuía um grande volume de mensagens, o agente “se perdeu” e passou a apagar os e-mails em alta velocidade.
“Fiquei confiante demais porque esse fluxo de trabalho estava funcionando na minha caixa de entrada de teste há semanas. Caixas de entrada reais são diferentes”, relatou a executiva em sua rede social. Ela afirmou ainda que tentou interromper o processo com comandos como “não faça isso” e “OpenClaw, pare”, sem sucesso.
Diante da falha, Yue precisou desativar manualmente a função de exclusão no dispositivo onde a inteligência artificial estava hospedada, um Mac mini. “Tive que correr para o meu computador como se estivesse desarmando uma bomba”, descreveu.
Após o incidente, o próprio OpenClaw reconheceu o erro, admitiu que violou uma regra estabelecida pela usuária, a de não tomar nenhuma ação sem autorização prévia, e pediu desculpas, afirmando que não repetiria longas rodadas de limpeza de e-mails.
O caso expõe os riscos associados ao uso de agentes de IA que operam de forma autônoma. Embora essas ferramentas prometam aumento de produtividade ao centralizar e automatizar tarefas, especialistas alertam que comandos mal interpretados ou permissões excessivas podem causar prejuízos significativos, como a perda irreversível de dados.
