Em entrevista exclusiva ao BacciNotícias, o humorista Léo Lins falou pela primeira vez após ser absolvido no processo que havia resultado em sua condenação a mais de oito anos de prisão por piadas envolvendo minorias. Em tom bem-humorado e crítico, ele celebrou a decisão, comentou o debate sobre censura no humor e afirmou que o julgamento pode criar um precedente importante para outros casos semelhantes.
O humorista Léo Lins quebrou o silêncio e falou com exclusividade após ser absolvido no processo judicial que havia determinado sua condenação a oito anos e três meses de prisão em regime fechado. A entrevista foi concedida ao BacciNotícias na noite desta segunda-feira e manteve o tom irônico que marca a carreira do artista, além de críticas diretas ao que ele classifica como censura e hipocrisia no debate público.
A absolvição foi decidida por maioria de votos, com placar de dois a um, o que ainda permite a apresentação de recurso por parte do Ministério Público. Questionado sobre como recebeu o resultado do Tribunal, Léo Lins afirmou ter comemorado. “Recebi a notícia da absolvição da mesma forma que aqueles que não toleram ideias divergentes receberam a da condenação, com muita alegria”, disse.
O humorista contou que sempre esteve confiante no desfecho favorável e relatou ter acompanhado o resultado de forma descontraída. “Eu estava confiante na Justiça e inclusive fiz um chá revelação de sentença para saber ao vivo se era culpado ou inocente”, afirmou, em tom de brincadeira.
Durante a entrevista, Léo comentou as reações que surgiram após a condenação inicial, quando parte dos humoristas saiu em sua defesa alegando cerceamento da liberdade de expressão, enquanto outros afirmaram que o humor não pode servir de justificativa para preconceito. Para ele, esse posicionamento é contraditório. “Ver humoristas a favor da censura é o mesmo que ver uma vaca defendendo o açougue”, declarou. Em seguida, voltou a ironizar ao dizer que mudou sua forma de fazer humor: “A partir de agora, eu seguro o microfone na mão esquerda”.
Desafios da profissão no Brasil
Ao ser questionado sobre o exercício da profissão no Brasil, Léo Lins afirmou que o país oferece um cenário desafiador, mas fértil para a comédia. “É ótimo ser humorista no Brasil, afinal hipocrisia e falso moralismo são terrenos férteis para piadas. Não precisamos de mais direitos, e sim de mais bom senso. Estamos atravessando a epidemia da ignorância”, afirmou. Ele também revelou que prepara o lançamento de um novo livro, voltado à reflexão e ao humor crítico.
O artista ainda comentou o impacto da absolvição sobre outros processos judiciais que enfrenta. Para ele, a decisão pode influenciar julgamentos futuros. “Creio que sim. Essa decisão contribui para a formação de um precedente importante, cuja relevância vai além da minha carreira. Mais do que uma vitória pessoal, é um fôlego para a liberdade de expressão”, disse.
A condenação agora anulada havia sido proferida em junho de 2025 pela Justiça Federal, com aplicação de multa de R$ 1,6 milhão e indenização de cerca de R$ 300 mil por danos morais coletivos. A sentença foi assinada pela juíza Bárbara de Lima Iseppi, que entendeu que o caráter humorístico não afastaria a responsabilidade penal, citando inclusive o conceito de “racismo recreativo”.
Com a absolvição, esse entendimento perdeu efeito jurídico. A decisão foi comemorada publicamente por Danilo Gentili, que se manifestou nas redes sociais em defesa da liberdade de expressão. Apesar da reversão da sentença, o processo ainda pode ter novos desdobramentos caso haja recurso do Ministério Público.
