O Brasil recorda os 30 anos da queda do avião que vitimou o grupo Mamonas Assassinas na Serra da Cantareira. O aniversário da tragédia traz à tona vídeos em que Júlio Rasec e Dinho relatam pressentimentos e fazem piadas sobre acidentes aéreos pouco antes do embarque fatal. A data marca o legado de uma banda que, mesmo com carreira curta, transformou a história da música nacional.
Nesta segunda-feira 2 de março, o Brasil relembra as três décadas do trágico acidente aéreo que interrompeu a trajetória da banda Mamonas Assassinas, um dos maiores fenômenos dos anos 90. O grupo, que conquistou o país com uma mistura única de humor e ritmos variados, teve seu fim decretado quando a aeronave em que viajava bateu contra a Serra da Cantareira, em 1996. A fatalidade vitimou todos os integrantes do quinteto de Guarulhos: o vocalista Dinho, o guitarrista Bento Hinoto, o tecladista Júlio Rasec, o baterista Sérgio Reoli e o baixista Samuel Reoli, além de funcionários e da tripulação.
O sonho de Júlio Rasec
Entre as memórias que cercam o trágico episódio, destaca-se um vídeo gravado por Júlio Rasec poucas horas antes do embarque final. Em visita ao seu cabeleireiro para retocar o tom avermelhado dos fios, o tecladista demonstrou uma inquietação incomum ao relatar um sonho perturbador.
No registro, que depois ganhou repercussão nacional, o músico descreve de forma séria a sensação de que o avião cairia, admitindo não compreender o significado daquela premonição.
“Não sei, essa noite eu sonhei com um negócio… Assim, parecia que o avião caía. Não sei. Não sei o que quer dizer isso”, dizia Júlio no vídeo.
Assista o vídeo:
A conversa, que alternava entre brincadeiras sobre a turnê em Portugal e momentos de profunda preocupação, tornou-se um dos símbolos mais enigmáticos do último dia de vida do grupo.

Mamonas Assassinas || Reprodução: Redes Sociais
A premonição de Dinho
Somado ao pressentimento de Júlio Rasec, registros de bastidores capturados para um documentário da época revelam declarações de Dinho que, diante do desfecho real, adquirem um peso sombrio. Em uma das cenas, o vocalista aparece ironizando as falhas técnicas de uma aeronave utilizada pela banda em viagens anteriores.
Com seu humor característico, Dinho relatava problemas no radar e no sistema de combustível, rindo das condições precárias de voo e questionando o cinegrafista sobre qual notícia ele preferia ouvir primeiro.
“Esse avião quase caiu na selva amazônica porque quebrou o radar. Tenho uma boa e uma má notícia para você que vai voar com a gente, câmera man. Qual você quer primeiro? A boa é que eles consertaram. A ruim é que quebrou de novo. Ah, e o combustível não tá passando do reservatório para o tanque”, dizia o vocalista, rindo.
Assista o vídeo:
O momento mais impactante dessa sequência ocorre durante uma interação entre os dois amigos. Enquanto Júlio Rasec perguntava, em tom de brincadeira, se ele era o famoso vocalista do Mamonas Assassinas, Dinho respondeu de forma curta e enigmática utilizando o tempo verbal no passado, afirmando que “ele era” aquela pessoa.
Relembre o caso
Em 2 de março de 1996, o jato Learjet 25D que transportava a banda Mamonas Assassinas colidiu contra a Serra da Cantareira (SP) às 23h16. O grupo retornava de um show em Brasília para o Aeroporto de Guarulhos. Todas as 9 pessoas a bordo morreram no impacto.
Causas Principais:
Fadiga Humana: O piloto acumulava 14 horas de voo e apresentava exaustão extrema.
Erro de Manobra: Durante a arremetida, o piloto curvou para a esquerda (padrão convencional), ignorando a norma de Guarulhos que exige curva para a direita devido ao relevo da serra.
Fatores Adicionais: Baixa visibilidade, falhas de comunicação com a torre e inexperiência do copiloto.
Os cinco integrantes (Dinho, Bento, Samuel, Júlio e Sérgio), dois assistentes da banda e os dois tripulantes. Os destroços foram encontrados em local de difícil acesso, sem sobreviventes.
