Os Estados Unidos utilizaram a inteligência artificial Claude, considerada rival do ChatGPT, na ofensiva militar contra o Irã no último sábado (28), segundo revelação do The Wall Street Journal, confirmada pelo Axios e pela Reuters. O modelo é desenvolvido pela Anthropic e já vinha sendo integrado às operações do Comando Central americano para análises de inteligência e simulações de batalha. O uso ocorre em meio a um embate entre o governo de Donald Trump e a empresa sobre os limites éticos da ferramenta.
Os Estados Unidos usaram a inteligência artificial Claude na ofensiva militar contra o Irã, realizada no sábado (28), segundo revelou o The Wall Street Journal. A informação foi confirmada pelo Axios e pela Reuters.
O Claude é um assistente de inteligência artificial semelhante ao ChatGPT, capaz de responder a comandos e realizar análises complexas. Quando integrado a outros sistemas, pode ser utilizado para tarefas estratégicas, como avaliação de dados e simulação de cenários.
De acordo com o jornal, o Comando Central dos EUA (Centcom), principal base do Exército americano no Oriente Médio, utiliza a ferramenta em suas operações. Os militares, no entanto, não detalharam como o modelo foi empregado especificamente no ataque ao território iraniano.
Ainda segundo a reportagem, o Centcom já incorporou inteligência artificial em suas rotinas e costuma utilizar o Claude para avaliações de inteligência, identificação de alvos e simulações de cenários de batalha.
Disputa pela tecnologia
O uso da ferramenta acontece em meio a uma disputa entre o governo de Donald Trump e a Anthropic, empresa responsável pelo desenvolvimento do modelo. Na sexta-feira (27), Trump ordenou que órgãos federais deixassem de usar programas da companhia imediatamente, criticando a postura da empresa quanto às restrições impostas ao uso militar da tecnologia.
A Anthropic mantém desde 2025 um contrato de US$ 200 milhões com o Pentágono para fornecer modelos de inteligência artificial voltados a aplicações militares. No entanto, há limites estabelecidos pela empresa: os sistemas não podem ser usados para vigilância em massa de cidadãos nem em armamentos totalmente autônomos.
O diretor-executivo da Anthropic, Dario Amodei, afirmou que a companhia não permitirá o uso irrestrito de seus modelos pelo Departamento de Defesa, destacando que as ferramentas ainda não são confiáveis o suficiente para operar armas letais sem controle humano final.
Segundo o Wall Street Journal, o Pentágono também utilizou o Claude em uma operação anterior que resultou na captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, em parceria com a empresa de dados Palantir Technologies.
O caso reacende o debate sobre os limites éticos do uso de inteligência artificial em operações militares e o papel dessas ferramentas em conflitos armados.
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