O que começou como uma proposta incomum de uma funerária na província de Chiba se transformou em uma tendência entre jovens no Japão. A prática conhecida como coffin-laying — ou meditação dentro de caixões — convida participantes a se deitarem em urnas funerárias para refletir sobre a própria existência.

Prática de meditação dentro de caixões ganha espaço entre jovens no Japão como ferramenta de reflexão sobre a vida. Foto: Divulgação.
Prática de meditação dentro de caixões ganha espaço entre jovens no Japão como ferramenta de reflexão sobre a vida. Foto: Divulgação.

O que começou como uma proposta incomum de uma funerária na província de Chiba se transformou em uma tendência entre jovens no Japão. A prática conhecida como coffin-laying — ou meditação dentro de caixões — convida participantes a se deitarem em urnas funerárias para refletir sobre a própria existência.

A experiência é apresentada como uma forma de enfrentar o medo da morte e, ao mesmo tempo, valorizar a vida. Em um país que enfrenta desafios relacionados à saúde mental e índices preocupantes de suicídio entre jovens, a proposta surge como uma alternativa simbólica para estimular o autoconhecimento e aliviar a ansiedade.

Como funciona a prática

Empresas especializadas passaram a oferecer sessões estruturadas da chamada “meditação no caixão”. A Grave Tokyo, liderada pela designer Mikako Fuse, desenvolve caixões personalizados e decorados, com o objetivo de tornar a experiência menos assustadora e mais acolhedora.

Na capital japonesa, o spa Meiso Kukan Kanoke-in oferece sessões de cerca de 30 minutos por aproximadamente US$ 13 (em torno de R$ 65). Durante o período, o participante pode escolher permanecer com o caixão aberto ou fechado, ouvir músicas relaxantes, assistir a projeções no teto ou permanecer em silêncio absoluto.

Segundo os organizadores, a proposta não é romantizar a morte, mas permitir que o indivíduo “simule” simbolicamente o fim da vida para reorganizar pensamentos e emoções.

Impacto entre estudantes

A iniciativa ganhou contornos educacionais em 2024, quando workshops foram realizados na Universidade de Kyoto. A ideia foi desmistificar o medo do falecimento e incentivar o que a organizadora chama de “desejo de viver”.

Relatos publicados pelo jornal Mainichi Shimbun apontam que estudantes afirmaram ter experimentado redução da ansiedade e maior clareza sobre prioridades pessoais após a vivência.

Debate sobre saúde mental

Defensores da prática afirmam que o impacto visual e sensorial de deitar-se em um caixão provoca uma reflexão mais intensa do que métodos tradicionais de meditação. Ao encarar simbolicamente a finitude, o participante poderia processar angústias e retornar à rotina com uma nova perspectiva.

Especialistas, no entanto, destacam que iniciativas desse tipo não substituem acompanhamento psicológico ou psiquiátrico, mas podem funcionar como ferramentas complementares de reflexão.

Enquanto divide opiniões, a tendência mostra como o debate sobre saúde mental tem impulsionado abordagens criativas e culturalmente adaptadas para lidar com ansiedade, medo e pensamentos negativos.

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