A empresária Cristiane de Paula Parreira Martins relembrou detalhes da última conversa que teve com o marido, o piloto Jorge Luiz Germano Martins, pouco antes do acidente aéreo que matou os integrantes da banda Mamonas Assassinas. A tragédia completa 30 anos em 2026.

Reprodução | Arquivo pessoal / redes sociais
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A empresária Cristiane de Paula Parreira Martins relembrou detalhes da última conversa que teve com o marido, o piloto Jorge Luiz Germano Martins, pouco antes do acidente aéreo que matou os integrantes da banda Mamonas Assassinas. A tragédia completa 30 anos em 2026.

Jorge comandava o jatinho modelo Learjet 25D, que caiu em março de 1996. Além do piloto, morreram os cinco integrantes do grupo e outras três pessoas. O vocalista da banda era Dinho.

Em entrevista ao blog Do Meu Tempo, do portal R7, Cristiane falou sobre a dor da perda, o desafio de criar as duas filhas sozinha e a última conversa com o marido antes do voo que terminou em tragédia.

A última conversa antes do voo

Segundo Cristiane, o casal mantinha o hábito de conversar todos os dias por telefone. A última ligação aconteceu na sexta-feira, 1º de março de 1996, por volta das 20h.

Na conversa, o piloto comentou que voltaria para casa na segunda-feira, quando começariam as aulas da filha mais velha. Ele também planejava viajar aos Estados Unidos para realizar testes em uma grande companhia aérea.

Antes de encerrar a ligação, Jorge se despediu com uma frase que ficaria marcada na memória da esposa.

“Ele disse: ‘Até amanhã, fofa. A gente se vê no jantar’. Depois pediu: ‘Cuida bem de você e das meninas, porque, se alguma coisa acontecer, eu não te perdoo nunca’”, contou.

A notícia do acidente

Cristiane soube do acidente no domingo de manhã, após uma ligação do pai. Segundo ela, ele inventou uma situação envolvendo um ônibus da empresa da família para que ela fosse até a casa da mãe sem desconfiar da tragédia.

Ao chegar ao local, percebeu a presença de muitas pessoas e jornalistas. Foi então que o pai contou que o avião havia desaparecido do radar. Quando ligou a televisão e viu imagens dos destroços, a empresária disse que teve certeza de que ninguém havia sobrevivido.

“O luto é um buraco em que você pisa e não encontra chão”, afirmou.

Vida após a tragédia

Na época do acidente, Cristiane tinha 26 anos e duas filhas pequenas, de um e três anos. Ela contou que precisou reunir forças para seguir em frente e assumir a criação das meninas sozinha.

Segundo a empresária, uma das filhas sequer chegou a aprender a falar a palavra “pai”. Mesmo assim, ela afirmou que buscou manter a memória do marido presente na família. Cristiane decidiu não se casar novamente e afirmou que a prioridade sempre foi cuidar das filhas, atendendo ao pedido que o marido havia feito antes da viagem.

Luta para defender a memória do piloto

Além do luto, a viúva também enfrentou acusações direcionadas ao marido, que chegou a ser apontado como o principal responsável pelo acidente. Durante o processo judicial, Cristiane decidiu ingressar na faculdade de Direito para reunir provas e ajudar na defesa da memória do piloto.

O trabalho de conclusão de curso, baseado em documentos e investigações sobre o caso, recebeu nota máxima e foi anexado ao processo. Anos depois, reportagens passaram a indicar que a responsabilidade pelo acidente não poderia ser atribuída exclusivamente ao piloto.

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