O acidente aéreo que matou todos os integrantes dos Mamonas Assassinas completa 30 anos nesta segunda-feira (02). O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apontou que uma combinação de fatores humanos e operacionais levou à queda da aeronave na Serra da Cantareira, na Zona Norte de São Paulo.
O acidente aéreo que matou todos os integrantes dos Mamonas Assassinas completa 30 anos nesta segunda-feira (02). O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) apontou que uma combinação de fatores humanos e operacionais levou à queda da aeronave na Serra da Cantareira, na Zona Norte de São Paulo.
A investigação concluiu que o cansaço da tripulação, falhas de treinamento, erros na condução da arremetida e deficiência na coordenação de cabine foram determinantes para o acidente ocorrido na noite de 2 de março de 1996.
Jornada exaustiva e falhas operacionais
O Learjet modelo LR-25D, operado pela empresa Madri Táxi Aéreo, cumpriu uma jornada de aproximadamente 17 horas de trabalho naquele dia, cerca de seis horas além do limite previsto na Lei do Aeronauta vigente à época.
Segundo o relatório, o comandante teria relatado cansaço antes do último voo. A tripulação permaneceu longos períodos à disposição, sem estrutura adequada para descanso, entre deslocamentos que incluíram Piracicaba, Guarulhos e Brasília.
O Cenipa apontou que o desgaste físico e mental pode ter contribuído para lapsos de atenção em fases críticas da aproximação ao Aeroporto de Guarulhos.

Reprodução
Erro na arremetida
A aproximação final ocorreu à noite, com céu encoberto. A aeronave não conseguiu estabilizar-se corretamente para o pouso. Ao decidir arremeter, o comandante abandonou o procedimento por instrumentos e solicitou realizar curva à esquerda do aeródromo.
A Torre orientou que a manobra fosse feita pela direita, mas, naquele momento, o avião já seguia em alta velocidade rumo ao setor norte, área de relevo elevado.
Às 23h16, a aeronave colidiu contra a Serra da Cantareira, abrindo uma clareira de cerca de 400 metros na mata. Todos os ocupantes morreram no local.
Treinamento insuficiente
O relatório também destacou lacunas no treinamento:
- O comandante tinha cerca de 220 horas no modelo Learjet.
- O copiloto possuía apenas 57 horas na aeronave e ainda estava em fase de instrução.
- Nenhum dos dois havia recebido treinamento formal em Gerenciamento de Recursos de Cabine (CRM).
- A empresa não possuía programa de treinamento aprovado pelo então Departamento de Aviação Civil (DAC).
Segundo o Cenipa, a ausência de capacitação adequada para situações anormais e de emergência comprometeu a coordenação e a tomada de decisão.
Outros fatores analisados
A investigação também mencionou a possível presença de passageiro na cabine durante fase crítica do voo e destacou a importância financeira da banda para a empresa de táxi aéreo, o que poderia ter gerado pressão operacional.
Como o Learjet não possuía caixa-preta, as conclusões foram baseadas em dados de radar, comunicações com a Torre, laudos técnicos e depoimentos.
Além dos músicos Dinho, Bento Hinoto, Júlio Rasec, Sérgio e Samuel Reoli, também morreram o ajudante de palco, o segurança e os dois pilotos.
Três décadas depois, o caso permanece como uma das maiores tragédias da aviação brasileira e um marco na memória cultural do país.
Leia mais no BacciNotícias:
