Neste domingo (8) é celebrado o Dia Internacional da Mulher, uma data que nasceu da luta histórica das mulheres por igualdade de direitos, melhores condições de trabalho, direito ao voto e pelo fim da violência de gênero. Embora frequentemente associada a homenagens e celebrações, especialistas apontam que o momento deve ser, sobretudo, de reflexão sobre os desafios que ainda persistem.
Neste domingo (8) é celebrado o Dia Internacional da Mulher, uma data que nasceu da luta histórica das mulheres por igualdade de direitos, melhores condições de trabalho, direito ao voto e pelo fim da violência de gênero. Embora frequentemente associada a homenagens e celebrações, especialistas apontam que o momento deve ser, sobretudo, de reflexão sobre os desafios que ainda persistem.
No Brasil, os números relacionados à violência contra a mulher e ao feminicídio continuam alarmantes e evidenciam que a igualdade de direitos ainda está longe de ser uma realidade plena. Para muitas especialistas, esses indicadores mostram que a data ainda representa mais um marco de conscientização do que propriamente uma comemoração.
Em entrevista ao portal BacciNotícias, a especialista em gestão de pessoas Rosa Alba Bernhoeft, fundadora da Alba Consultoria, afirma que o significado do 8 de março precisa ser compreendido dentro de um contexto histórico de luta e resistência.
“Eu vejo o 8 de março com a serenidade de quem já viveu muitas décadas e testemunhou de perto a longa e, por vezes, dolorosa jornada feminina por direitos e dignidade. As homenagens são bem-vindas, mas reduzir esta data a um gesto festivo é esquecer o sangue, o suor e as lágrimas que a construíram”, afirma.
Conquista ao longo dos anos
A especialista relembra que muitas conquistas consideradas naturais hoje são recentes na história do país. “A Lei do Divórcio é de 1977, a primeira Delegacia da Mulher surgiu em 1985 e a Lei Maria da Penha só foi criada em 2006. São vitórias que precisam ser defendidas diariamente”, destaca.
Para Bernhoeft, o 8 de março deve servir como um momento de pausa para avaliar os avanços conquistados, mas também para reconhecer o caminho que ainda precisa ser percorrido. “É um marco para honrar nossa história, refletir sobre os desafios que persistem e denunciar as injustiças que ainda vitimam tantas mulheres”, diz.
Entre os principais obstáculos ainda enfrentados pelas mulheres no país, ela destaca fatores culturais e estruturais. A sobrecarga da chamada “jornada múltipla”, em que as mulheres acumulam responsabilidades profissionais e domésticas, continua sendo um dos principais entraves para a igualdade no mercado de trabalho.
“A mulher segue sendo a principal responsável pelo cuidado com a casa e com os filhos, o que a coloca em uma posição de desvantagem na carreira. É uma maratona desigual, onde ela precisa correr com um peso extra que os homens, em sua maioria, não carregam”, explica.
No ambiente corporativo, a especialista também aponta a existência de preconceitos e barreiras invisíveis. Segundo ela, comportamentos que são vistos como liderança quando partem de homens muitas vezes recebem julgamentos negativos quando apresentados por mulheres.
Violência de gênero como principal obstáculo
Além disso, a violência de gênero permanece como uma realidade grave. “Os índices de feminicídio e violência doméstica mostram que o lar ainda pode ser um dos lugares mais perigosos para a mulher. Essa violência nasce da falta de uma estrutura familiar que ensine respeito e dignidade ao outro”, afirma.
Para que o Dia Internacional da Mulher possa, no futuro, ser celebrado como uma data de conquistas consolidadas, Bernhoeft acredita que são necessárias tanto políticas públicas quanto mudanças culturais profundas.
Entre as medidas necessárias, ela cita maior transparência salarial, critérios claros de promoção nas empresas e modelos de trabalho mais flexíveis. No entanto, a especialista ressalta que a transformação mais duradoura precisa começar dentro das famílias.
“Precisamos criar filhos e filhas com a mesma régua de direitos e deveres. É na família que se formam os valores e o respeito ao outro”, afirma.
Segundo ela, a verdadeira celebração do 8 de março só será possível quando igualdade e respeito forem realidade cotidiana. “O dia em que poderemos realmente celebrar será quando a sociedade entender que impulsionar uma mulher não é um ato de bondade, mas um investimento na própria humanidade”, conclui.
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