O Cenipa deve recomendar a substituição de uma peça em aeronaves ATR após o acidente com o voo 2283 da Voepass, que caiu em Vinhedo (SP) em agosto de 2024 e matou 62 pessoas. A orientação deve constar no relatório final da investigação, ligado ao sistema anti-gelo do avião. O documento deve ser divulgado entre abril e maio.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) deve recomendar a substituição de um componente em aeronaves fabricadas pela ATR. A orientação deve constar no relatório final sobre o acidente envolvendo o voo 2283 da Voepass, que caiu em agosto de 2024 na cidade de Vinhedo.
A informação foi revelada com exclusividade pela CNN Brasil. Segundo fontes ligadas à investigação, a peça está diretamente relacionada ao sistema anti-gelo da aeronave — um dos pontos analisados pelos investigadores desde o início das apurações.
O relatório preliminar divulgado pelo Cenipa já havia apontado possíveis falhas no sistema de degelo das asas (airframe de-icing) do modelo ATR 72-500 operado pela Voepass. Registros da cabine indicam que os pilotos relataram problemas durante o voo e acionaram o mecanismo responsável por remover o gelo das asas ao menos três vezes.
De acordo com pessoas que tiveram acesso às conclusões da investigação técnica, a recomendação de segurança será preventiva e direcionada a operadores desse tipo de aeronave. Esse tipo de orientação é comum nos relatórios do Cenipa e tem como objetivo reduzir riscos operacionais e evitar que falhas semelhantes contribuam para novos acidentes.
Tragédia em Vinhedo
A expectativa é que o relatório final seja divulgado entre abril e maio. Após a conclusão da investigação técnica, a Polícia Federal do Brasil também deve apresentar o resultado do inquérito paralelo que apura eventuais responsabilidades criminais.
Diferentemente das investigações conduzidas pela polícia, o trabalho do Cenipa tem caráter exclusivamente técnico e preventivo. A função do órgão é identificar fatores que contribuíram para o acidente e emitir recomendações de segurança para fabricantes, companhias aéreas e autoridades da aviação civil.
Quando uma recomendação envolve componentes de aeronaves, o impacto pode ultrapassar a empresa envolvida no acidente. Como o modelo ATR é amplamente utilizado na aviação regional em diversos países, orientações desse tipo podem levar operadores e autoridades aeronáuticas a revisar procedimentos de manutenção ou até substituir peças das aeronaves.
O acidente
A aeronave envolvida na tragédia era um ATR 72-500 operado pela Voepass e realizava o voo 2283, que partiu de Cascavel com destino ao Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos.
No dia 9 de agosto de 2024, o avião caiu em uma área residencial de Vinhedo, no interior paulista. A bordo estavam 62 pessoas — 58 passageiros e quatro tripulantes — e não houve sobreviventes.

Entre as vítimas estava a criança Liz Ibba dos Santos, que viajava ao lado do pai. A menina era a passageira mais jovem do voo.
O acidente se tornou uma das maiores tragédias da aviação brasileira nos últimos anos. Desde então, o Cenipa conduz a investigação técnica para esclarecer os fatores que contribuíram para a queda e apresentar medidas para aumentar a segurança das operações aéreas.
