A ANP identificou redução na oferta de combustíveis e queda nas importações de diesel, o que, aliado à alta demanda, cria risco para o abastecimento no Brasil. O cenário já pressiona os preços e preocupa empresas e consumidores.
Um levantamento da Agência Nacional do Petróleo (ANP) aponta sinais de alerta no abastecimento de combustíveis no país. Segundo a análise, a Petrobras tem aprovado volumes menores de fornecimento às distribuidoras nos primeiros meses de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Uma nota técnica indica que, apenas em março, houve redução de 21,6% no volume de gasolina liberado em relação a 2025. No caso do diesel S10, após um início de ano com volumes maiores, a estatal também diminuiu em 12,5% a quantidade aprovada para abril.
Demanda segue aquecida
Apesar da redução na oferta, a demanda por combustíveis permanece elevada, o que preocupa técnicos do setor. Segundo a ANP, grandes distribuidoras continuam solicitando volumes adicionais, enquanto há indícios de manutenção de estoques acima do mínimo regulatório.
A pressão é intensificada pelo início da colheita de uma nova safra de soja, período que tradicionalmente aumenta o consumo de diesel no país.
Importações despencam
Outro fator crítico é a forte queda nas importações de diesel. Nos primeiros 17 dias de março, o volume importado foi de cerca de 322,6 milhões de litros, uma retração de 59,6% em relação ao mesmo período de 2025.
O diesel importado representa aproximadamente 30% do consumo nacional e tem sido impactado pela alta internacional do petróleo, impulsionada pelo conflito no Oriente Médio. Com preços mais elevados no mercado externo, importadores têm reduzido as compras, temendo prejuízos na revenda.
Cenário considerado de risco
Diante desse contexto, a ANP classificou a situação como “excepcional de risco” para o abastecimento nacional. Entre os principais fatores estão a queda relevante das importações, a demanda interna aquecida e o início de pressão também sobre a gasolina.
Empresas do setor já demonstram preocupação. Duas das três maiores distribuidoras do país formalizaram alertas à ANP sobre a deterioração das condições de abastecimento, especialmente na região Centro-Sul.
Petrobras nega impacto no fornecimento
Em resposta, a Petrobras afirmou que não houve alteração nas entregas e que todas as obrigações contratuais estão sendo cumpridas. Segundo a estatal, as refinarias operam em capacidade máxima e as entregas seguem conforme planejamento.
A empresa também informou que tem adotado medidas logísticas para ampliar a oferta e antecipar o envio de combustíveis às distribuidoras.
Alta nos preços preocupa consumidores
O cenário já impacta os preços. Dados mais recentes da ANP mostram que a gasolina subiu de R$ 6,46 para R$ 6,65, enquanto o diesel avançou de R$ 6,80 para R$ 7,26 apenas na última semana.
É a terceira alta consecutiva. Desde o início do conflito no Oriente Médio, no fim de fevereiro, o diesel acumula aumento de 19,4%.
Pressão por medidas do governo
Entidades do setor, como associações de postos, distribuidoras e importadores, alertaram para o risco de desabastecimento e cobraram ações do governo federal.
Embora medidas como isenção de impostos e subsídios tenham sido adotadas, especialistas afirmam que os efeitos não chegam integralmente ao consumidor final, especialmente por causa da mistura obrigatória do biodiesel no diesel comercializado.
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