Caminhoneiros de todo o país ameaçam entrar em greve nos próximos dias por causa da alta no preço do diesel. A mobilização, que reúne autônomos e celetistas, pressiona o governo por medidas mais efetivas para reduzir os custos da categoria e evitar impactos no transporte de cargas e no abastecimento.
A alta no preço do diesel acendeu um alerta entre caminhoneiros de todo o Brasil, que já articulam uma possível greve nacional nos próximos dias. A categoria afirma que a paralisação pode ocorrer caso o governo não apresente soluções concretas para conter os custos da atividade.
Segundo lideranças do setor, o movimento tem ganhado força em diferentes regiões e já conta com ampla adesão entre motoristas autônomos e celetistas. A insatisfação gira principalmente em torno da dificuldade de manter a operação diante dos constantes reajustes no combustível.
O presidente da Associação Brasileira dos Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, afirmou que a decisão vem sendo discutida em assembleias e reflete o cenário crítico enfrentado pelos profissionais.
“A conta não fecha. Se não parar agora, vamos cruzar os braços”, declarou.
Mobilização nacional
De acordo com Landim, a paralisação tem caráter nacional e já conta com apoio de importantes polos logísticos, como portos e regiões estratégicas do país.
A estimativa é de que cerca de 95% da categoria seja favorável à greve, o que pode gerar impactos significativos no transporte de cargas em todo o território nacional.
Atualmente, o Brasil conta com aproximadamente 790 mil caminhoneiros autônomos e cerca de 750 mil motoristas com vínculo empregatício, o que amplia o potencial de impacto de uma eventual paralisação.
Impacto do diesel e pressão internacional
Entre as principais reclamações está a influência de fatores internacionais no preço dos combustíveis no Brasil. Segundo a categoria, conflitos externos têm impacto direto no valor do diesel, dificultando o planejamento financeiro dos motoristas.
A avaliação é de que medidas já adotadas pelo governo, como propostas de redução de impostos, não foram suficientes para aliviar os custos.
Negociações e risco de paralisação
Representantes dos caminhoneiros se reuniram recentemente com integrantes do governo para discutir alternativas, incluindo a zeragem de alíquotas de impostos sobre o diesel. Apesar disso, a categoria considera que ainda não houve avanços concretos.
Caso não haja uma sinalização efetiva, a tendência é de que a paralisação seja confirmada nos próximos dias.
A orientação inicial das lideranças é que o movimento ocorra sem bloqueios em rodovias, para evitar multas. Ainda assim, não está descartada a possibilidade de manifestações mais intensas.
Reivindicações da categoria
Entre as principais demandas dos caminhoneiros estão o cumprimento do piso mínimo do frete, aposentadoria especial após 25 anos de contribuição, retomada de políticas de distribuição de combustíveis e fiscalização mais rígida contra empresas que descumprem regras do setor.
Entidades ligadas ao transporte também manifestaram apoio ao movimento, destacando que a categoria enfrenta dificuldades crescentes e está próxima do limite.
Caso a greve se concretize, há risco de desabastecimento e impactos na economia em diversas regiões do país.
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