Um dos episódios mais chocantes da história criminal da Bahia ocorreu na noite de 30 de abril de 1977, quando integrantes de uma seita religiosa sacrificaram oito crianças na praia de Stella Maris, em Salvador. O ritual foi conduzido pelo casal José Maurino de Carvalho e Maria Nilza Pessoa, conhecidos entre os seguidores como Matota e Marata, líderes da seita chamada Universal Assembleia dos Santos.
Um dos episódios mais chocantes da história criminal da Bahia ocorreu na noite de 30 de abril de 1977, quando integrantes de uma seita religiosa sacrificaram oito crianças na praia de Stella Maris, em Salvador. O ritual foi conduzido pelo casal José Maurino de Carvalho e Maria Nilza Pessoa, conhecidos entre os seguidores como Matota e Marata, líderes da seita chamada Universal Assembleia dos Santos.
As vítimas tinham entre 7 meses e 8 anos de idade e eram filhas ou parentes de membros do próprio grupo religioso. Na ocasião, as crianças foram levadas ao mar e afogadas diante dos demais seguidores, que acreditavam participar de um ritual sagrado.
Ritual nas dunas terminou em morte
Naquela noite, 21 pessoas caminharam em silêncio pelas dunas próximas à Lagoa do Abaeté até chegar à faixa de areia da praia. O grupo havia passado cerca de 45 dias acampado na região, esperando sinais divinos anunciados por Matota.
Segundo relatos da época, Marata entrou no mar por volta das 22h. Uma mulher entregou a filha pequena e ela foi mergulhada na água até morrer, ritual que se repetiu com outras vítimas, que foram levadas ao mar uma a uma. Em determinado momento, Matota lançou uma das crianças ao oceano. O menino tentou nadar de volta, mas foi mantido submerso por integrantes da seita até desaparecer.
Origem do casal e formação da seita
Matota e Marata se conheceram em 1975, em uma igreja evangélica em Feira de Santana. Ele era vendedor ambulante em Salvador, enquanto ela morava no povoado de Barra, no município de Mundo Novo, na região da Chapada Diamantina.
Após afirmar ter tido uma visão de Jesus Cristo, Maurino passou a se considerar um profeta. O casal mudou de nome e começou a reunir seguidores, formando um grupo religioso que pregava um novo evangelho. Em pouco tempo, Matota passou a conduzir batismos, alterar nomes de seguidores e reorganizar casamentos entre membros. O grupo acabou rompendo com igrejas locais, vivendo de forma isolada.

Reprodução / Revista Manchete via site Correio
Mudança para Salvador e acampamento no Abaeté
No início de 1977, os seguidores venderam bens e juntaram cerca de 18 mil cruzeiros para viajar até Salvador. O grupo se instalou nas dunas próximas à Lagoa do Abaeté, onde acreditava estar no chamado “Monte das Oliveiras”, local que teria sido indicado em visões religiosas. Ali permaneceram por semanas vivendo de forma precária, até a noite do ritual que terminou com a morte das oito crianças.
Descoberta dos corpos chocou a cidade
Na manhã de 1º de maio de 1977, uma catadora que caminhava pela praia de Ipitanga encontrou o primeiro corpo de criança na areia. Ao percorrer a região, percebeu outros corpos espalhados pela faixa de praia. Nos dias seguintes, pescadores encontraram mais vítimas no mar e na beira da água, confirmando a dimensão da tragédia. O caso rapidamente mobilizou a polícia e ganhou repercussão nacional.
Prisões e repercussão do caso
Após denúncias que relacionavam o desaparecimento de famílias a um grupo religioso, a polícia localizou os integrantes da seita nas dunas de Itapuã poucos dias depois do crime. Eles foram levados para interrogatório sob forte comoção popular. Durante os depoimentos, os seguidores afirmaram que obedeciam às ordens de Matota e Marata, que teriam prometido proteção divina caso participassem do ritual.
Julgamento e destino dos envolvidos
Os líderes e alguns membros da seita foram enviados ao manicômio judiciário da Bahia, onde permaneceram por vários anos. Avaliações psiquiátricas concluíram que os participantes estavam profundamente influenciados pela crença religiosa e não compreendiam plenamente o caráter criminoso do ato. Após cerca de oito anos internados, Matota e Marata deixaram a instituição em 1985. O episódio é um dos crimes mais perturbadores já registrados na história e segue sendo lembrado como exemplo extremo de manipulação religiosa e fanatismo.
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