O aumento é reflexo direto da crise global do cacau, que reduziu a oferta da matéria-prima e elevou seus custos nos últimos anos. Mesmo com a recente queda nas cotações internacionais, o impacto ainda não foi repassado ao consumidor, já que a indústria produziu os itens com insumos adquiridos no período mais caro.

Ovos de Páscoa (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
Ovos de Páscoa (Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)

Faltando poucos dias para a Páscoa, os brasileiros se depararam com preços elevados dos ovos de Páscoa. A alta do chocolate foi de 25% nos últimos meses, de acordo com os dados do IPCA-15, e deixou o alimento menos acessível para os consumidores.

Esse encarecimento está diretamente ligado à crise global do cacau, que elevou significativamente os custos da matéria-prima. Mesmo com uma recente queda nas cotações internacionais, os reflexos positivos ainda não chegaram ao varejo, já que a produção dos ovos de Páscoa foi baseada em preços anteriores, mais altos.

Diante desse aumento, os consumidores enfrentam dificuldades para manter a tradição sem comprometer as finanças domésticas. A compra de apenas dois ovos de tamanho médio já pode representar uma fatia significativa do salário-mínimo, exigindo planejamento e adaptação.

Outras alternativas econômicas

Assim, a Páscoa deste ano evidencia o desafio de equilibrar o desejo de presentear com a necessidade de manter o controle financeiro. A expectativa é de adaptação por parte das famílias, que devem optar por alternativas mais econômicas, como ovos menores, barras de chocolate ou bombons, buscando manter a tradição sem comprometer o orçamento.

Apesar do cenário desafiador para o consumidor, a indústria demonstra confiança. O setor aposta na melhora do mercado de trabalho como fator de estímulo às vendas. Dados da Abicab indicam crescimento na produção, que passou de 806 mil toneladas em 2024 para 814 mil toneladas no último ano.

No segmento de ovos de Páscoa, a fabricação também avançou, saindo de 45 milhões de unidades em 2025 para 46 milhões em 2026, resultado de um planejamento industrial que começa meses antes, geralmente a partir de agosto do ano anterior.

Preços altos no Brasil

Apesar da recente melhora no mercado internacional do cacau, os preços estão em alta no Brasil por causa do ciclo da indústria. Os produtos disponíveis nas lojas foram fabricados com matéria-prima adquirida no período em que a commodity atingiu valores recordes, o que mantém os custos elevados até que novos lotes sejam produzidos com insumos mais baratos.

Outros fatores internos contribuem para segurar os preços no varejo. O aumento generalizado do custo de vida impacta diretamente despesas que vão além do chocolate, como embalagens de alumínio, plásticos utilizados em brindes e os gastos com transporte.

A logística, influenciada principalmente pelo preço dos combustíveis, também pesa na formação do valor final. Esse conjunto de custos adicionais dificulta que a redução observada no mercado externo seja rapidamente percebida pelos consumidores.

Cotação da matéria-prima

A cotação da matéria-prima registrou um recuo significativo. Em março, o preço girou em torno de 2,5 mil dólares por tonelada, bem abaixo do pico histórico de 12,5 mil dólares alcançado em dezembro de 2024.

Além disso, as projeções para a safra 2025/2026 indicam um excedente de aproximadamente 200 mil toneladas, reforçando a expectativa de maior disponibilidade no mercado internacional.

A escalada dos preços teve início em 2022, impulsionada por adversidades climáticas na África Ocidental, região responsável por cerca de 70% da produção mundial. Países como Costa do Marfim e Gana também enfrentaram problemas fitossanitários, com a disseminação de um fungo que afetou as lavouras.

Esse conjunto de fatores reduziu a oferta global e pressionou os valores da commodity, refletindo diretamente nos custos ao longo da cadeia produtiva.

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