A ex-bailarina do “Domingão do Faustão”, Natacha Horana, falou pela primeira vez sobre os traumas após deixar a prisão e anunciou a criação de um projeto para apoiar mulheres em situação de vulnerabilidade. Ela passou quatro meses presa após ser acusada de lavagem de dinheiro e envolvimento com o PCC. Após sair da cadeia, a também influenciadora, voltou a desfilar no carnaval de São Paulo como musa da Gaviões.

Ex-bailarina do Faustão quebra o silêncio após sair da prisão e quer ajudar mulheres
Ex-bailarina do Faustão quebra o silêncio após sair da prisão e quer ajudar mulheres

A ex-bailarina do “Domingão do Faustão”, Natacha Horana, decidiu quebrar o silêncio e falar publicamente sobre o período em que esteve presa e o processo de reconstrução de sua vida. Um ano após conquistar a liberdade, a influenciadora afirma que vive um novo momento e pretende usar a própria experiência para ajudar outras mulheres.

Natacha Ohana durante o “Domingão do Faustão”

Natacha foi presa no fim de 2024, suspeita de envolvimento em crimes como lavagem de dinheiro, enriquecimento ilícito e ligação com organização criminosa. Ela permaneceu cerca de quatro meses na penitenciária de Franco da Rocha, na Grande São Paulo, até conseguir liberdade por decisão da Justiça.

Relato de trauma e reconstrução

Em desabafo, a ex-dançarina revelou que o período na prisão deixou marcas profundas. Segundo ela, o processo de retomar a vida fora do sistema prisional foi mais difícil do que imaginava.

“Recomeçar depois de tudo o que eu vivi não é simplesmente voltar para a vida e fingir que nada aconteceu. Existe um processo interno muito profundo”, afirmou.

Natacha contou que precisou se redescobrir após a experiência e que não se reconhece mais como a mesma pessoa de antes. “Algumas coisas já não faziam mais sentido, como lugares e até amizades. Eu já não me sentia pertencente”, disse.

Natacha Ohana durante a prisão por lavagem de dinheiro

Ela também destacou que os traumas não desaparecem completamente. “São marcas que ficam para sempre, o que muda é a forma como a gente aprende a lidar com isso”, completou.

Medo, isolamento e superação

Durante o período em que esteve presa, a influenciadora enfrentou momentos de medo, tristeza e isolamento. Em relatos anteriores, ela chegou a contar que dividia cela com outras 16 mulheres, em um espaço com estrutura precária.

“Você não dorme, não come, só chora”, relembrou em entrevista. A experiência extrema contribuiu para um processo intenso de transformação pessoal.

Agora, segundo ela, o cenário é diferente. “Hoje me sinto mais forte emocionalmente e mais consciente de quem eu sou”, afirmou. Apesar disso, admite que ainda enfrenta dificuldades, principalmente diante de julgamentos públicos.

Novo projeto para ajudar mulheres

Após a experiência, Natacha decidiu criar o projeto “Além da Penna”, uma iniciativa sem fins lucrativos voltada para mulheres em situação de vulnerabilidade emocional, social e jurídica.

A proposta, desenvolvida em parceria com a advogada Paola Toledo, busca oferecer apoio e dar visibilidade a histórias que, segundo a influenciadora, muitas vezes são ignoradas.

“Existem muitas mulheres vivendo batalhas invisíveis. O projeto nasce para olhar para essas mulheres com humanidade”, explicou.

Recomeço também no Carnaval

Em meio à nova fase, Natacha também retomou parte de sua carreira artística. Neste ano, voltou ao Carnaval de São Paulo como musa da escola de samba Gaviões da Fiel, após ter ficado de fora do desfile anterior por estar presa.

Natacha Ohana, ex-bailarina do Faustão, durante desfile da Gaviões da Fiel em 2026

A volta à avenida simboliza, para ela, um recomeço. Mesmo com os desafios, a ex-bailarina afirma estar focada em reconstruir sua trajetória e transformar a própria história em instrumento de apoio para outras pessoas.

O caso judicial segue em andamento, e a defesa sustenta que não há provas que comprovem o envolvimento da influenciadora nos crimes investigados.

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