Lula afirmou que o Caso Master pode prejudicar a imagem do STF e disse ter orientado Alexandre de Moraes a se declarar impedido em decisões relacionadas. O presidente defendeu transparência, alertou para impactos políticos e sugeriu mudanças nas regras da Corte.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o chamado “Caso Master” pode prejudicar a imagem do Supremo Tribunal Federal e relatou ter aconselhado o ministro Alexandre de Moraes a se declarar impedido de participar de decisões relacionadas ao tema. A declaração foi feita em entrevista ao programa ICL Notícias, nesta quarta-feira (8).
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“Eu disse para o companheiro Alexandre de Moraes: ‘Você fez uma biografia histórica neste país com o julgamento do 8 de janeiro, não permita que joguem fora a sua biografia’”, afirmou o presidente.
Transparência e possível conflito de interesses
Segundo Lula, o episódio envolve questões que podem ser legais, mas que tendem a gerar questionamentos na opinião pública. O caso envolve o Banco Master e a relação com o Barci de Moraes Sociedade de Advogados, ligado à advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
O escritório confirmou que manteve contrato com o banco entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Para o presidente, situações que envolvam familiares exigem cautela redobrada. “Na Suprema Corte, estará impedido de votar em casos que envolvam sua esposa”, disse, ao relatar a conversa com Moraes.
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Lula também avaliou que, mesmo sem ilegalidade comprovada, o impacto na imagem institucional é relevante. “Prejudica a imagem, obviamente”, afirmou, destacando que a percepção pública ganha ainda mais peso em um cenário político sensível e em ano eleitoral.
Repercussão política e investigação
O presidente defendeu que o caso seja tratado com transparência e afirmou que já conversou com outros ministros sobre o tema. “Essas coisas não podem ser colocadas debaixo do tapete, achando que o povo vai esquecer”, declarou.
Ele também alertou que o episódio pode ser explorado politicamente por adversários. Durante a entrevista, Lula comentou ainda a situação do empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, e mencionou a possibilidade de delação premiada, ressaltando a necessidade de cautela no processo.
“Pode ser uma delação comprada”, disse, ao defender que os depoimentos sejam acompanhados para evitar irregularidades. O presidente citou ainda valores envolvidos no caso, mencionando cerca de R$ 12 bilhões cuja origem, segundo ele, precisa ser esclarecida.
Propostas para o STF e crítica à cobertura
Lula aproveitou para defender mudanças nas regras aplicáveis a ministros do STF, com foco em critérios éticos e dedicação exclusiva ao cargo. “Se quer ficar milionário, não pode ser ministro da Suprema Corte”, afirmou.
O presidente também criticou a cobertura da GloboNews sobre o caso, especialmente um quadro que relacionava nomes ligados ao episódio. Segundo ele, a abordagem pode induzir interpretações equivocadas. “Eu sou o presidente da República, se um cidadão pedir conversa comigo, eu atendo”, disse.
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