O caso Nardoni pode ganhar um novo capíulo após um recurso protocolado no Superior Tribunal de Justiça (STJ) pedir o retorno de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá ao regime fechado. A solicitação aponta possíveis descumprimentos das regras do regime aberto, além de alegar impacto social causado pela presença do casal em liberdade à comunidade.
O caso Nardoni, um dos mais emblemáticos da história criminal brasileira, pode ter um novo desdobramento judicial em Brasília. A Associação do Orgulho LGBTQIAPN+ protocolou, nesta quinta-feira (9), um recurso no Superior Tribunal de Justiça (STJ) pedindo a regressão de regime de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá.

Isabella Nardoni (Foto: Reprodução/Polícia Civil)
Condenados pela morte da menina Isabella Nardoni, de 5 anos, em 2008, os dois atualmente cumprem pena em regime aberto. No entanto, a entidade alega que há indícios de descumprimento das condições impostas pela Justiça.
Recurso aponta irregularidades
O pedido foi apresentado pela associação presidida por Agripino Magalhães e representada pelo advogado Francisco Angelo Carbone Sobrinho. No documento encaminhado ao STJ, são levantadas dúvidas sobre a rotina de Alexandre Nardoni, especialmente em relação ao trabalho na empresa do pai.
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Segundo a petição, há questionamentos sobre o cumprimento dos horários e a possibilidade de circulação em períodos não autorizados pelo regime aberto. Além disso, o recurso também levanta suspeitas sobre o endereço informado à Justiça.
De acordo com o texto, existem incertezas sobre a permanência do casal no local declarado oficialmente, com menções a uma possível mudança para a região de Alphaville sem a devida comunicação às autoridades.

Casal Nardoni
“Medo coletivo” e pressão social
Outro ponto destacado no recurso é o impacto da presença do casal em liberdade na população. A associação afirma que moradores de bairros de São Paulo e da região de Barueri estariam vivendo um cenário de “medo coletivo” e “intimidação difusa”.
Ainda segundo o documento, centenas de assinaturas teriam sido reunidas como forma de protesto contra a permanência dos condenados em regime aberto, reforçando a pressão social em torno do caso.
Comparação com caso Bruno
Como argumento adicional, a entidade cita o caso do ex-goleiro Bruno, que teve a prisão novamente decretada após descumprir condições do regime ao viajar sem autorização judicial.

Mandado de prisão continua válido enquanto polícia tenta localizar o ex-goleiro. Foto: Redes Sociais.
A associação defende que, assim como ocorreu nesse episódio, a regressão de regime no caso Nardoni deve ser imediata diante de qualquer indício de irregularidade, até que os fatos sejam devidamente apurados.
Histórico do caso
O crime que chocou o país ocorreu em março de 2008, quando Isabella Nardoni foi encontrada gravemente ferida após cair do sexto andar de um prédio na zona norte de São Paulo. Investigações apontaram que a menina foi agredida e jogada pela janela do apartamento onde estava com o pai e a madrasta.
Em 2010, Alexandre Nardoni foi condenado a 31 anos de prisão, enquanto Anna Carolina Jatobá recebeu pena de 26 anos, ambos por homicídio triplamente qualificado e fraude processual.
Com o passar dos anos, os dois obtiveram progressão de regime, passando do fechado para o semiaberto e, posteriormente, para o aberto, mediante o cumprimento de requisitos legais.

Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá (Foto: Reprodução)
Novo capítulo na Justiça
O novo recurso representa mais uma tentativa de reverter a situação atual do casal. A entidade já havia acionado outras instâncias do Judiciário, incluindo o Supremo Tribunal Federal (STF), sem sucesso.
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Agora, o foco está no STJ, que deverá analisar o pedido e decidir se há основания suficientes para determinar o retorno dos condenados ao regime fechado.
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